“No pain no gain”, isso é verdade?!

A dor tem sido difundida como um fator inerente ao esporte e ao ganho de resultado, seja massa muscular, performance ou qualquer outro aspecto físico, e até mesmo mental.

Várias pessoas usam a frase “no pain no gain” como um estímulo para os seus treinos. Entretanto, devemos ter muito cuidado com essa ideia difundida na cultura popular do esporte e das academias. Dor muscular tardia, uma condição fisiológica de desconforto muscular no dia seguinte ao treino é uma condição dolorosa normal e esperada após uma sessão mais intensa de treino ou retorno ao esporte/atividade física. No entanto, dor durante a execução do movimento ou dor persistente logo apos a atividade física liga um sinal de alerta!

Sabemos que o esporte de alto rendimento as vezes é deletério em alguns aspectos da saúde geral. Os atletas profissionais são forçados ao limite e o histórico de lesões pode deixar o atleta numa condição de ter sempre que superar a dor durante o decorrer da carreira. Mas não devemos generalizar isso para todos os praticantes de atividade física e esportistas. Se algo esta desconfortável durante a execução do movimento, uma analise mais individualizada deve ser feita. Correção de gesto esportivo, controle de carga, analise dos aspectos clínicos, nutricionais e fisiológicos, inúmeros aspectos passíveis de análise e correção, que podem ser gerenciados pelo Médico do Exercício e do Esporte e trabalhados em equipe.

Quando a dor se torna persistente, o que chamamos dor crônica, pode ser necessário uma intervenção. Para isso, há inúmeras ferramentas para otimizar a recuperação:

  • Eletroacupuntura
  • Agulhamento a seco
  • Terapia por ondas de choque
  • Infiltrações com técnicas e medicamentos variados, como a toxina botulínica

 

No final, tudo depende de uma boa analise inicial do Médico do Exercício e do Esporte e o trabalho em equipe com outros profissionais.

Então, “no pain no gain” não deve ser uma premissa levada a rigor. O que observamos é que muitos atletas, principalmente os amadores, tentam superar dores que seriam passíveis de correção caso houvesse uma analise mais detalhada da origem da dor e a orientação ou intervenção adequada. Mesmo para os atletas de alto rendimento e com histórico já crônico de lesões, também pode haver recurso para que o transcorrer da carreira não tenha que ser pautado somente na frase “no pain no gain”.

 

Dr. Marcelo Machado Arantes.

Médico do Exercício e do Esporte, com especializações em Dor e Acupuntura da Clínica Move