Tenho uma doença crônica endocrinológica, sou do grupo de risco para casos graves do COVID-19?

Diabetes: Pacientes com diabetes, especialmente os com mau controle glicêmico, encontram-se no grupo de risco de maior gravidade. A hiperglicemia crônica prejudica o funcionamento adequado do sistema imunológico e leva a um estado pró-inflamatório que predispõe a maior gravidade da doença. Não há motivo para pânico, mantenha seu tratamento, faça controle rigoroso da glicemia e contate seu endocrinologista para ajustes no tratamento.
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Obesidade: Também está associada a maior gravidade. O tecido adiposo é produtor de substâncias pró-inflamatórias que podem estar relacionadas a uma resposta exacerbada à infecção pelo vírus. Se você já está em tratamento, mantenha-o e contato com seu endocrinologista para estabelecer boas estratégias de manter a perda de peso durante a pandemia. Se ainda não está em tratamento, não espere até o fim da pandemia para buscar acompanhamento. Diversos médicos estão atendendo com todas as medidas de segurança e até via telemedicina.
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Tireoide: Pacientes com hipo ou hipertireoidismo em tratamento adequado e bom controle hormonal não estão no grupo de risco. Apesar da Doença de Hashimoto e Doença de Graves serem doenças autoimunes, elas não prejudicam a resposta do corpo à infecção pelo vírus. Os pacientes que fazem uso de medicações para o hipertireoidismo devem comunicar imediatamente seu médico em caso de febre, pois em casos muito raros essas medicações podem diminuir o número de células de defesa (leucócitos). Nódulos tireoidianos não comprometem em nada a imunidade e a resposta do corpo à infecção. Pacientes em tratamento, devem manter suas medicações e manter contato com seu endocrinologista para acompanhamento do tratamento.
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Insuficiência adrenal: Pacientes com insuficiência adrenal, independente da causa, devem manter sua reposição hormonal de glicocorticoide. Por se tratar de uma dose de reposição fisiológica, ou seja, doses de corticoides próximas da produção diária de cortisol pelas adrenais, não compromete sua imunidade e não deve, sob hipótese alguma, ser interrompida. Em caso de infecção, a dose de estresse deve ser administrada conforme orientação do seu endocrinologista.
Em caso de dúvidas, contate o endocrinologista.

Dra. Mirela Miranda
Médica Endocrinologista da Clínica Move

Inatividade física e risco cardiovascular: reflexões para a quarentena

A doença do coronavírus 2019 (COVID-19) é uma doença infecciosa e com proporções pandêmicas, já tendo acometido mais do que 3 milhões de pessoas no mundo. A ausência de medidas preventivas ou terapêuticas específicas, em conjunto com a alta taxa de tranmissão do vírus, tem levado a recomendação de que todos os indivíduos devem permanecer em casa e procurar manter o distanciamento social. Por conter a transmissão do vírus, esta estratégia reduz a pressão sobre os sistemas de saúde, levando a um melhor manejo e controle do COVID-19. No entanto, esta estratégia trás importantes repercussões comportamentais e clínicas.

O isolamento social tende a causar profunda redução nos níveis de atividade física moderada a vigorosa. De fato, recentemente a Fitbit Inc., uma compania norte americana que desenvolve equipamentos (do tipo wearable) para monitorar o nível de atividade física, divulgou dados de atividade física de 30 milhões de usuários de todo o mundo, demonstrando redução expressiva (de 7 a 38%) no número de passos diários, entre os dias 16 e 22 de Março de 2020. Essa redução no nível de atividade física causada pelas medidas de controle do COVID-19 pode trazer repercussões substanciais pro sistema cardiovascular.

Desde a década de 50 já se sabe que a inatividade física está associada ao aumento dos riscos cardiovasculares. Naquela época, estudos clássicos conduzidos na Inglaterra verificaram maior mortalidade cardiovascular em profissões “inativas” (ex: motorista de ônibus ou trabalhadores de escritório) em comparação a profissões “mais ativas” (ex: carteiros ou cobradores de ônibus que subiam e desciam as escadas dos ônibus de 2 andares de Londres). Mais recentemente, este entendimento foi aprimorado por meio de estudos que observaram que poucos dias de inatividade física já são capazes de promover alterações negativas na função contrátil do coração, remodelamento dos vasos e piora dos marcadores de risco cardiovascilar. Com o tempo, esses efeitos se somam, pavimentando o caminho para a instalação das doenças cardiovasculares.

Dada a relação entre inatividade física e risco cardiovascular, é de extrema importância que a população tente aumentar o seu nível de atividade física durante o período de quarentena. Isto é possível por meio da realização de atividades físicas no ambiente domiciliar. Diversos estudos tem demonstrando o benefício de atividades simples, tais como caminhar em casa, pedalar em bicicleta ergométrica, subir escadas, dançar, realizar exercícios com o peso do corpo, dentre outras, sobre o condicionamento físico, a saúde geral e cardiovascular. Estas atividades devem ser realizadas por toda a população, desde crianças e adolescentes, até adultos e idosos. Nas pessoas que tenham risco cardiovascular aumentado, isto deve ser feito de maneira

mais branda e progressiva, e sempre com atenção aos sinais do corpo.

Prof. Dr. Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.

Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Consultor da Clínica Move

Contato: pecanhatiago@gmail.com  Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

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