Tenho uma doença crônica endocrinológica, sou do grupo de risco para casos graves do COVID-19?

Diabetes: Pacientes com diabetes, especialmente os com mau controle glicêmico, encontram-se no grupo de risco de maior gravidade. A hiperglicemia crônica prejudica o funcionamento adequado do sistema imunológico e leva a um estado pró-inflamatório que predispõe a maior gravidade da doença. Não há motivo para pânico, mantenha seu tratamento, faça controle rigoroso da glicemia e contate seu endocrinologista para ajustes no tratamento.
.
Obesidade: Também está associada a maior gravidade. O tecido adiposo é produtor de substâncias pró-inflamatórias que podem estar relacionadas a uma resposta exacerbada à infecção pelo vírus. Se você já está em tratamento, mantenha-o e contato com seu endocrinologista para estabelecer boas estratégias de manter a perda de peso durante a pandemia. Se ainda não está em tratamento, não espere até o fim da pandemia para buscar acompanhamento. Diversos médicos estão atendendo com todas as medidas de segurança e até via telemedicina.
.
Tireoide: Pacientes com hipo ou hipertireoidismo em tratamento adequado e bom controle hormonal não estão no grupo de risco. Apesar da Doença de Hashimoto e Doença de Graves serem doenças autoimunes, elas não prejudicam a resposta do corpo à infecção pelo vírus. Os pacientes que fazem uso de medicações para o hipertireoidismo devem comunicar imediatamente seu médico em caso de febre, pois em casos muito raros essas medicações podem diminuir o número de células de defesa (leucócitos). Nódulos tireoidianos não comprometem em nada a imunidade e a resposta do corpo à infecção. Pacientes em tratamento, devem manter suas medicações e manter contato com seu endocrinologista para acompanhamento do tratamento.
.
Insuficiência adrenal: Pacientes com insuficiência adrenal, independente da causa, devem manter sua reposição hormonal de glicocorticoide. Por se tratar de uma dose de reposição fisiológica, ou seja, doses de corticoides próximas da produção diária de cortisol pelas adrenais, não compromete sua imunidade e não deve, sob hipótese alguma, ser interrompida. Em caso de infecção, a dose de estresse deve ser administrada conforme orientação do seu endocrinologista.
Em caso de dúvidas, contate o endocrinologista.

Dra. Mirela Miranda
Médica Endocrinologista da Clínica Move

Inatividade física e risco cardiovascular: reflexões para a quarentena

A doença do coronavírus 2019 (COVID-19) é uma doença infecciosa e com proporções pandêmicas, já tendo acometido mais do que 3 milhões de pessoas no mundo. A ausência de medidas preventivas ou terapêuticas específicas, em conjunto com a alta taxa de tranmissão do vírus, tem levado a recomendação de que todos os indivíduos devem permanecer em casa e procurar manter o distanciamento social. Por conter a transmissão do vírus, esta estratégia reduz a pressão sobre os sistemas de saúde, levando a um melhor manejo e controle do COVID-19. No entanto, esta estratégia trás importantes repercussões comportamentais e clínicas.

O isolamento social tende a causar profunda redução nos níveis de atividade física moderada a vigorosa. De fato, recentemente a Fitbit Inc., uma compania norte americana que desenvolve equipamentos (do tipo wearable) para monitorar o nível de atividade física, divulgou dados de atividade física de 30 milhões de usuários de todo o mundo, demonstrando redução expressiva (de 7 a 38%) no número de passos diários, entre os dias 16 e 22 de Março de 2020. Essa redução no nível de atividade física causada pelas medidas de controle do COVID-19 pode trazer repercussões substanciais pro sistema cardiovascular.

Desde a década de 50 já se sabe que a inatividade física está associada ao aumento dos riscos cardiovasculares. Naquela época, estudos clássicos conduzidos na Inglaterra verificaram maior mortalidade cardiovascular em profissões “inativas” (ex: motorista de ônibus ou trabalhadores de escritório) em comparação a profissões “mais ativas” (ex: carteiros ou cobradores de ônibus que subiam e desciam as escadas dos ônibus de 2 andares de Londres). Mais recentemente, este entendimento foi aprimorado por meio de estudos que observaram que poucos dias de inatividade física já são capazes de promover alterações negativas na função contrátil do coração, remodelamento dos vasos e piora dos marcadores de risco cardiovascilar. Com o tempo, esses efeitos se somam, pavimentando o caminho para a instalação das doenças cardiovasculares.

Dada a relação entre inatividade física e risco cardiovascular, é de extrema importância que a população tente aumentar o seu nível de atividade física durante o período de quarentena. Isto é possível por meio da realização de atividades físicas no ambiente domiciliar. Diversos estudos tem demonstrando o benefício de atividades simples, tais como caminhar em casa, pedalar em bicicleta ergométrica, subir escadas, dançar, realizar exercícios com o peso do corpo, dentre outras, sobre o condicionamento físico, a saúde geral e cardiovascular. Estas atividades devem ser realizadas por toda a população, desde crianças e adolescentes, até adultos e idosos. Nas pessoas que tenham risco cardiovascular aumentado, isto deve ser feito de maneira

mais branda e progressiva, e sempre com atenção aos sinais do corpo.

Prof. Dr. Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.

Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Consultor da Clínica Move

Contato: pecanhatiago@gmail.com  Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

COVID19 – Recomendações para Diabéticos

• Mantenha um bom controle glicêmico: Tome regularmente suas medicações (se faz uso de pioglitazona, converse com seu endocrinologista). Faça um controle mais rigoroso da glicemia em domicílio e comunique seu médico sobre variações para que ajustes no tratamento sejam feitos rapidamente. Mantenha uma dieta balanceada, com alimentos in natura, nutritivos e com baixo índice glicêmico (frutas, legumes, cereais integrais…) e mantenha-se ativo (tente manter uma rotina de exercícios físicos em casa). Hidrate-se bem, tenha boa noite de sono de 7 a 8h e evite estresse emocional. Assim você evita grandes variações glicêmicas e mantém sua imunidade forte.
• Mantenha sua carteira de vacinação em dia, sobretudo a vacina contra influenza que deve ser anual e contra pneumococo que deve ser uma a duas doses a depender da idade. Consulte seu endocrinologista. A presença de infecções secundárias junto a Covid-19 também aumenta gravidade.
• Se faz uso de inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), não suspenda por conta própria. O beneficio a longo prazo dessas medicações parece superar o malefício em relação a infecção pelo COVID-19. Converse com seu médico.
• A Sociedade Brasileira de Diabetes não recomenda a compra para estoque de insumos para diabetes tais como insulinas, canetas, cateteres ou cânulas de bomba pelo receio de falta de materiais justificado por alguns pacientes.
• Também não há recomendação de qualquer tratamento para “aumentar a imunidade”, como infusão endovenosa de “soros vitaminados”. Em caso de qualquer dúvida, contate seu médico de confiança.
• Respeite as orientações para inibir a propagação do vírus: evite aglomerações, lave as mãos com frequência, use álcool gel quando lavar não for possível, não compartilhe utensílios domésticos e de uso pessoal, mantenha o distanciamento social.
• Em caso de sintomas suspeitos, contate seu médico o quanto antes. A grande maioria dos casos poderá ser manejada em casa, mantendo as medicações para o diabetes, hidratação adequada, repouso e controle rigoroso da glicemia. É possível que na vigência de infecção seja necessário o ajuste das medicações para melhor controle do diabetes. Pacientes com diabetes tipo 1 devem estar especialmente atentos ao risco de cetoacidose em situações de infecção. Em caso de sintomas respiratórios graves como falta de ar, procure atendimento de urgência e comunique prontamente sua condição clínica de diabético.
Em caso de quaisquer dúvida, procure um endocrinologista de confiança!
Dra. Mirela Miranda
Endocrinologista da Clínica Move

Diabetes e COVID-19

A medida que a pandemia pelo coronavírus vem se espalhando pelo mundo, as informações sobre a doença vão sendo divulgadas. É bom ressaltar que ainda se trata de um território incerto e embora muitos estudos estejam sendo publicados, os profissionais de saúde devem ponderar com muito cuidado como essas informações devem afetar sua prática médica e cuidado com os seus pacientes.
Houve repercussão mundial o artigo publicado em 11 de março pelo periódico The Lancet sobre três estudos que sugerem relação entre taxas de mortalidade 2 a 3x maiores em pacientes com comorbidades como diabetes e hipertensão, e com o uso de algumas medicações como ibuprofeno e alguns anti-hipertensivos.
O aspecto focado é o aumento da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2). Propõe-se que o vírus utiliza essa enzima, expressa nas células pulmonares, para ligar-se a células-alvo humanas e por isso, níveis elevados de ECA2 seriam causa da maior gravidade da infecção.
O estudo sugere que pacientes diabéticos e hipertensos em tratamento com fármacos como os inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), assim como em uso de tiazolidinodionas (pioglitazona) e de ibuprofeno apresentam elevação dos níveis da ECA-2 e por isso maior risco de gravidade pela COVID-19.

Frente a essa discussão gostaria de ressaltar alguns fatos importantes:

– Embora seja um vírus de alta transmissibilidade, a letalidade pela doença ainda é baixa e a grande maioria das pessoas tem sintomas leves e se recuperam em casa. O principal a se fazer é combater a transmissão do vírus.

– Os estudos até o momento publicados são baseados em associações epidemiológicas e plausibilidade biológica. Como não há estudos clínicos randomizados, as evidências científicas ainda não são tão fortes. Os estudos mostraram maior mortalidade em pacientes idosos, cardiopatas, hipertensos e diabéticos. Sabemos que essas condições clínicas se sobrepõem em vários pacientes, ficando difícil estabelecer o peso de cada uma na gravidade da doença. Além disso, não foi esclarecido como eram os controles glicêmicos desses pacientes previamente à infecção.

– Em geral, os pacientes com diabetes, especialmente aqueles cuja doença não é bem controlada, podem ser mais suscetíveis a infecções mais comuns, como influenza e pneumonia, possivelmente porque a hiperglicemia pode prejudicar a imunidade por alterar a função dos glóbulos brancos. É tanto que existem indicações específicas de imunizações para pacientes diabéticos. Um fator importante em qualquer forma de infecção nesses pacientes são os seus níveis glicêmicos. Um bom controle da glicose é fundamental para reduzir o risco e a gravidade de qualquer infecção. Sendo assim, acredita-se que as pessoas com diabetes vulneráveis e que provavelmente terão desfechos piores se contraírem COVID-19 são aquelas com longa história de diabetes, mau controle metabólico, presença de complicações e doenças concomitantes e especialmente os idosos (>60 anos), independentemente do tipo de diabetes. O risco de complicações na pessoa com diabetes bem controlado é menor, tanto para o diabetes tipo 1 quanto para o tipo 2.

Dra. Mirela Miranda
Endocrinologista da Clínica Move

Atletas amadores e uso de substâncias proibidas no esporte

Recentemente uma pesquisa feita pela BBC Sports inglesa num grupo de homens e mulheres atletas amadores e/ou frequentadores de academia, mostrou que 35% das pessoas entrevistadas conhecia alguém que havia usado substâncias proibidas no esporte.

A substância mais comumente utilizada foram os esteroides anabolizantes.

As principais razões para o uso foram melhoria de performance (41%), controle de dor (40%) e se sentir bem (34%).

 

Quais são os critérios para a proibição de substâncias e métodos?

 

A WADA (World Anti-Doping Agency) anualmente libera uma lista de substâncias e métodos que são proibidos. É incluído nessa lista substâncias  e métodos que preencham 2 dos 3 critérios a seguir:

  • Tem o potencial de melhorar a performance,
  • Tem o potencial de causar risco para a saúde,
  • Viola o espírito do esporte.

 

Os grupos de substâncias proibidas na lista de 2020 são:

  1. drogas não regulamentadas para uso humano,
  2. esteroides anabolizantes,
  3. hormônios pépticos e fatores de crescimento,
  4. beta-2-agonistas,
  5. hormônios e modificadores metabólicos,
  6. diuréticos e mascaradores de resultados.

 

E os métodos proibidos são:

  1. a manipulação do sangue e dos seus componentes,
  2. a manipulação física e química,
  3. o doping genético e celular

 

Além do que foi citado acima, durante as competições,  também fica proibido o uso de:  estimulantes, narcóticos, canabióides e glicocorticoides.

O que acontece quando há necessidade de prescrição de uma substância proibida?

 

No esporte profissional ou competitivo, quando há necessidade da prescrição  de uma dessas medicações proibidas por indicação clínica, o médico deve solicitar a autorização de uso por meio de um formulário preenchido e enviado para as entidades responsáveis por essa regulação. Com isso, o atleta profissional fica protegido e pode receber o melhor tratamento disponível para o seu tratamento.

 

O que acontece com o atleta amador que utiliza substâncias proibidas no esporte?

 

Na maioria das provas amadoras, não há controle antidoping. Muitas vezes o atleta amador está usando uma substância que potencialmente pode estar fazendo mal para a sua saúde e está na lista.

Uma das substâncias mais comumente difundidas e utilizadas são os anabolizantes, como a testosterona e similares. Esse grupo de drogas é usado para dar ganho de força e potência muscular. Os seus principais riscos para a saúde são:

  • doença cardíaca e hepática,
  • ginecomastia (aumento de mama no homem),
  • infertilidade,
  • masculinização na atleta feminina,
  • surgimento de alguns tipos de câncer,
  • risco de morte dependendo do nível de toxicidade.

 

Um outro exemplo de doping muito difundido nos esportes de endurance é a eritropoietina, conhecida como EPO. Essa substância é um hormônio que tem a função de aumentar a produção de hemácias (células vermelhas). Com isso, o sangue do atleta melhora a capacidade de carrear oxigênio e, consequentemente, melhora o VO2 (que é a capacidade aeróbia). O risco do uso da EPO se dá pelo aumento da viscosidade do sangue, o que pode favorecer o aparecimento de eventos trombóticos e isquêmicos no organismo, como infarto e acidente vasculares cerebrais, que podem ser fatais.

 

Talvez o melhor caminho para conter esse comportamento no esporte amador não seja inserir testes antidoping em provas amadoras, mas sim melhorar a informação e educação sobre os riscos dessa prática. É importante  lembrar para esses atletas o motivo que os levaram ao esporte: saúde, diversão, interação social e jogo justo.

 

Dra. Fernanda Lima e Dr. Marcelo Machado

Médicos do Exercício e do Esporte da Clínica Move

Gota? Que doença é essa?

               A gota é uma forma de artrite.  Inicialmente ela aparece na forma de crises agudas de dor e inchaço em uma articulação. A mais frequentemente articulação acometida é a do dedão do pé (hálux).

               A gota é uma doença causada por alteração no metabolismo do ácido úrico. O ácido úrico é um produto químico produzido quando o corpo decompõe certos alimentos. O ácido úrico em excesso pode formar cristais que se depositam nas articulações e causam a crise de dor e edema na articulação (a chamada crise de gota).

               Os cristais de ácido úrico também podem se acumular nos rins, alterando a capacidade do rim de filtrar o sangue adequadamente e em grande escala, se transformando nas dolorosas “pedras nos rins”.

               As pessoas com gota sofrem crises repentinas de dor intensa em uma ou mais articulações dos braços ou pernas. Muitas vezes, a articulação também fica vermelha e incha. Os surtos de gota tendem a acontecer com mais frequência durante a noite e duram de 3 a 10 dias. Nas crises iniciais, o próprio organismo consegue desarmar a crise de gota. Se o paciente não se trata e as crises vão ficando mais frequentes, elas passam a durar mais e podem gerar artrite crônica e deformidades importantes nas articulações com depósitos de cristal. Esses depósitos são conhecidos por “tofos” e são nódulos que ficam sob a pele das articulações.

               O médico suspeita de gota quando o paciente apresenta o quadro descrito acima. A confirmação é feita se o cristal é visto ao microscópio no líquido sinovial coletado da articulação afetada. Além disso, é comum o paciente já ter um histórico de ácido úrico alto no sangue ou mesmo história de familiares com gota na família.

               A gota deve ser tratada para evitar as deformidades articulares e a perda da função renal. O tratamento consiste em controlar a inflamação da articulação nas fases agudas com anti-inflamatórios específicos e o uso de medicamentos que consigam controlar o nível de ácido úrico no organismo. O médico especializado para tratar gota é o reumatologista.

               O paciente pode ajudar no seu tratamento se mantendo dentro do peso, ingerindo uma dieta saudável que inclua frutas, legumes, grãos integrais e laticínios com pouca gordura. Também é importante beber bastante água e tentar não ficar desidratado, em especial durante a prática de esportes. É fundamental também limitar bebidas alcoólicas, pois essas podem piorar ou desencadear crises.

 

Dra. Fernanda Lima

 

12 dicas da OMS para uma vida saudável

Estamos quase terminando o primeiro mês de 2020. O começo do ano é um momento de reflexão e estabelecimento de novas metas, e é importante que os hábitos saudáveis estejam na lista de resoluções para o ano que começa. Pensando nisso a OMS lançou uma campanha no final de 2019 com 12 dicas para uma vida mais saudável. Confira:

  1.  Tenha uma dieta saudável  – Inclua no seu cardápio diário fruta e verduras (pelo menos 5 porções ao dia); reduza o consumo de bebidas açucaradas e refrigerantes, reduza o consumo de alimentos processados em geral (biscoitos, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo) – prefira alimentos in natura, limite o consumo de carne vermelha, diminua o consumo de gordura saturada. – Está com dificuldade de organizar seu cardapio? Procure um nutricionista!
  2.  Seja fisicamente ativo – Mexa-se! Troque elevador por escadas, se trabalha sentado, tente levantar-se e fazer uma caminhada por 5 min a cada 30 minutos; Programe uma atividade física regular, 20-30min por dia já faz a diferença, procure algo que seja prazeroso pra você, as opções são inúmeras: natação, basquete, volei, luta, corrida, yoga, pilates, musculação, caminhada…
  3.  Vacine-se – A vacinação foi uma das grandes evoluções da medicina, erradicou doenças e protege contra diversas doenças graves. Procure informar-se sobre as vacinas necessárias para sua faixa etária. Mantenha seu cartão vacinal e de seus dependentes em dia! A vacinação vai além da proteção individual, ela é uma boa prática de vivência em comunidade!
  4.  Não fume – Se é tabagista, marque o dia para parar. Procure ajuda, existem profissionais capacitados para auxiliá-lo nesse processo. Para quem não é, sempre bom relembrar os perigos do tabagismo: diversos tipos de câncer (pulmao, gargante, esôfago, cólon, mama..), doenças pulmonares crônicas, risco de aumentado de AVC e infarto agudo do miocárdio.
  5.  Limite o uso de álcool – Beba com moderação, evite os excessos.
  6.  Tenha uma boa saúde mental, tente diminuir o estresse – Procure realizar atividades que lhe tragam prazer. Converse e conviva com familiares e amigos queridos. Tenha um hobbie. Procure ter boas relações com os colegas de trabalho. Procure auxílio do profissional de psicologia para auxiliá-lo.
  7.  Tenha boa higiene – Lave as mãos regularmente, lave os alimentos crus. Cuide da sua higiene oral
  8.  Dirija com segurança – Respeite a sinalização, respeite os limites de velocidade. Largue o celular ao pegar no volante!
  9.  Use cinto de segurança ou capacete –  Sempre!
  10.  Pratique sexo seguro – O uso da camisinha não é só para proteger contra gravidez indesejada, mas principalmente para proteção de diversas doenças sexualmente transmissíveis! Previna-se.
  11.  Cheque sua saúde regularmente – Tenha um médico de confiança, faça seu check up regularmente. Previnir é sempre melhor que remediar.
  12.  Apóie o aleitamento materno  – O aleitamento materno é o alimento mais completo para os recém-nascidos, devendo ser o unico alimento ofertado ao bebê até o seis meses e preferencialmente ser ofertado até os 2 anos. Está relacionado a diminuição de obesidade infantil, diminuição de diversas doenças, melhora imunológica. Apoie essa causa.

Vamos estabelecer suas metas para 2020? Seja mais saudável. 

 

#choosehealth ”

 

 

Dra. Mirela Miranda

Endocrinologista da Clínica Move

O Exercício Físico melhora a atenção e memória de pacientes com Câncer de mama

Os relatos de perda de memória e atenção durante e após o tratamento são comuns entre as mulheres com câncer (CA) de mama. Este evento é conhecido como Comprometimento Cognitivo Relacionado ao Câncer (CCRC) e acomete, principalmente, as pacientes durante a quimioterapia. Os possíveis mecanismos que levam a este prejuízo cognitivo estão relacionados à capacidade dos agentes quimioterápicos em atravessar a barreira hematoencefálica promovendo danos as células nervosas, e alterações  nos níveis de neurotransmissores, citocinas, estrógeno e testosterona.  Por efeito, pacientes com CA de mama queixam-se de déficit de atenção, dificuldade de retornar ao trabalho e de cumprimento dos papéis sociais, angustia e perdas da autoconfiança e da qualidade de vida.

Um recente estudo, avaliou o nível de atividade física e o relacionou com a fadiga e desempenho cognitivo em 299 mulheres com CA de mama. O estudo evidenciou que as pacientes com os níveis mais altos de atividade física diária foram as que tiveram menor fadiga e obtiveram melhores desempenhos nos testes de função executiva e memória.

Estes achados nos mostram que a fadiga parece ser um mecanismo potencializador do CCRC e que, ao reduzi-la, os sintomas de perda de memória e atenção também diminuem. Dado que o exercício físico é, legitimamente, a intervenção terapêutica mais relevante na redução da fadiga relacionada ao CA, fica clara a necessidade de expor as pacientes com CA de mama a uma rotina de exercícios diários para a melhora do CCRC.

Considerando a qualidade deste estudo, seus resultados tornam-se extremamente relevantes e conclusivos: pacientes com CA de mama que treinam podem reduzir dois sintomas importantes (fadiga e comprometimento cognitivo).

Estamos no mês da conscientização sobre a prevenção e tratamento do CA de mama. Mulheres, vocês estão esperando o quê para começar a se exercitar?

Professor de Educação Física da Clínica Move

Mestre Rodrigo Ferraz

Referência do estudo citado

  • Ehlers, Diane K., et al. “The effects of physical activity and fatigue on cognitive performance in breast cancer survivors.” Breast Cancer Research and Treatment3 (2017): 699-707.

 

Pacientes com Doenças Reumatólogicas podem tomar Vacinas?

Muito tem sido falado sobre as vacinas nos dias de hoje, quais devem ser tomadas, quando devem ser tomadas, quem deve tomá-las e, mais importante, quem deve evitá-las.

As vacinas não devem ser limitadas à infância, existindo também um calendário vacinal para adultos e idosos. Elas podem ser recebidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em Centros de Referência de Imunológicos Especiais (CRIEs) ou em clínicas particulares. Nas UBSs, estão as vacinas que compõe o calendário vacinal, ou seja, aquelas vacinas identificadas pelo governo com o melhor custo-efetividade e custo-benefício para causarem um maior impacto do ponto de vista de Saúde Pública, protegendo de maneira mais efetiva a comunidade. Nos CRIEs ocorre o atendimento de pessoas  portadoras de doenças crônicas, imunodeficiências ou aquelas que convivem com estas pessoas, além daqueles que apresentaram alguma hipersensibilidade ou eventos adversos graves após vacinas. Nas clínicas particulares estão presentes todas as vacinas licenciadas pelo Ministério da Saúde.

Quando falamos de vacinas e imunossuprimidos, o mais importante é diferenciar os dois tipos de vacinas:

  • inativadas (vírus e bactérias mortos)
  • atenuadas (vírus enfraquecido)

As vacinas inativadas são produzidas com partes dos vírus e bactérias, sem conteúdo genético e, portanto, sem vida. Assim, elas são incapazes de causar doenças. Já as vacinas atenuadas são produzidas de uma forma em que o vírus ainda é capaz de se multiplicar, porém apenas o suficiente para gerar uma resposta do organismo, que produzirá anticorpos contra esse vírus, assim, a pessoa vacinada fica protegida contra ele.

As vacinas atenuadas devem ser evitadas pelos pacientes imunossuprimidos, já que estes possivelmente não conseguirão produzir uma resposta adequada e poderão desenvolver as doenças.

Exatamente por nem todos poderem tomar todas as vacinas, é  fundamental que quem não seja imunossuprimido ou não tenha alguma outra contraindicação, receba-as de forma correta. Este é o conceito de Proteção Coletiva, assim, os que estão protegidos contra as doenças por terem sido vacinados não as transmitirão para aqueles que não podem receber as vacinas.

Considerando as vacinas a serem tomadas por adultos (maiores de 20 anos), as vacinas de microorganismos inativados, ou seja, aquelas que podem ser tomadas por todos e que não são capazes de causar doença são:

  • Dupla adulto (dT): protege contra difteria e tétano, ou Triplice Acelular: protege contra tetano, difteria e coqueluxe
  • Hepatite B
  • Hepatite A
  • Vacina contra gripe: protege contra o vírus influenza
  • Vacina contra pneumococo: protege contra otites, pneumonia e meningite causadas por pneumococos
  • Vacina contra meningococos: protege contra meningites (C conjugada, ACWY e B)

 

As vacinas atenuadas, devem ter seus riscos e benefícios discutidos nos pacientes imunossuprimidos e são:

  • Vacinas isoladas de sarampo, caxumba ou rubéola ou conjugadas na Dupla (SR) ou na Tríplice viral (SCR): protege contra sarampo, caxumba e rubéola
  • Febre amarela
  • Herpes Zoster
  • Varicela: protege contra a catapora

Os principais efeitos  adversos das vacinas são febre, cansaço, dor e vermelhidão no local da aplicação. Se o paciente estiver com febre, opta-se por adiar a vacinação. É importante lembrar  que a vacina da gripe é uma vacina de vírus inativado, assim, não é capaz de causar gripe. O que geralmente ocorre, é que caso o paciente já esteja infectado por um vírus quando toma a vacina, esta não o impede de ficar doente. Portanto, não foi a vacina que causou a doença.

Cada vacina apresenta um esquema vacinal específico, que deverá ser orientado por seu médico.

É de extrema importância, portanto, que os pacientes que estão recebendo imunossupressores estejam com todas as vacinas de vírus e bactérias inativados em dia e que conversem com seu médico sobre qual vacina de vírus atenuado devem receber, já que sempre deve ser levado em consideração o grau de imunossupressão e o risco que o paciente tem de se expor ao vírus e, assim, pesar o risco-benefício de tomar ou não cada vacina de vírus atenuado.

 

Dra Gabriela Daffre

Reumatologista da Clínica Move