Exercícios de alta complexidade no tratamento da doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o movimento e que é caracterizada pela presença de tremores nos membros, rigidez e dificuldades na marcha, e perda do equilíbrio e da coordenação motora. Pacientes com esta doença também podem apresentar outros sintomas como depressão, distúrbios do sono e disfunção urinária.

Embora não exista cura para a doença de Parkinson, o tratamento medicamentoso é eficaz em reduzir os principais sintomas e melhorar a qualidade de vida, retardando a progressão da doença. Outras terapêuticas envolvem a terapia de estimulação cerebral profunda e a realização de fisioterapia e terapia ocupacional. Recentemente, tem sido demonstrado que a prática de exercícios físicos também possui um papel importante no tratamento desta doença. Particularmente, exercícios complexos que combinam diferentes capacidades motoras (ex: agachar e levantar em uma plataforma instável, exercícios na bola de pilates) ou exercícios que combinam demandas físicas e cognitivas parecem produzir diversos benefícios para esta população.

Uma série de trabalhos conduzidos pelo grupo da Dra. Carla da Silva Batista (Escola de Educação Física e Esporte da USP) tem demonstrado que protocolos de treinamento com alta complexidade motora promovem aumento da força muscular e da mobilidade, e melhora da função cognitiva, do equilíbrio e da qualidade de vida nesta população. Em um dos trabalhos mais recentes deste grupo, foi verificado que o treinamento com alta complexidade motora reduziu em 60% a ocorrência do congelamento da marcha (ou “freezing” em inglês) e em 70% os sintomas motores da doença. Ainda neste estudo, foi verificado que o treinamento físico promoveu uma melhora funcional em áreas do cérebro relacionadas ao controle do movimento.

Por conta de todos os benefícios apontados acima, o treinamento físico com alta complexidade deve ser estimulado para este tipo de paciente. No entanto isto deve ser implementado de maneira progressiva, começando com exercícios mais simples e que envolvam apenas uma tarefa, e progredindo gradativamente para exercícios mais complexos e de dupla tarefa. A supervisão de profissionais treinados é fundamental para o sucesso da terapêutica.

Tiago Peçanha, Consultor da Clínica Move – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

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