Qual é melhor: tapioca ou pão?

Vamos aos números, segundo a TBCA:

📍 50g de pão francês possui: 4.9g de proteína, 1.1g de lipídeos, 30.8g de carboidratos e 150KCal.
📍50g de tapioca possui: 0.2g de proteína, 0.0g de lipídeos, 36g de carboidrato e 144Kcal.

Nutricionalmente falando, a maior diferença entre eles é que um contém glúten e o outro não. Sendo assim, a tapioca é uma opção para quem é celíaco (intolerante ao glúten).
Se você não é celíaco, não precisa trocar seu pão pela tapioca.

“Mas nutri, sem glúten não é melhor?”
Não. O glúten não é vilão, o glúten não “dá barriga”, o glúten não deve ser eliminado e essa resposta só mudará se você for celíaco. Aceite.

Vale ressaltar aqui que nenhum alimento ou nutriente tem poder de engordar ou emagrecer. O que “engorda mais” é você consumir mais calorias do que você gasta.

Portanto, se você ama seu pãozinho francês pela manhã, coma! Saiba fazer suas escolhas e não fique sofrendo por enganações fitness que te colocam na cabeça. Procure um nutri de verdade e deixe de lado as “informações” vindas de meios nutris!

Em um planejamento alimentar individualizado, periodizado, com quantidades e qualidades alimentares adequadas, o pão pode estar dentro do plano com certeza, dependendo da estratégia combinada com seu nutricionista!

Rafael Klosterhoff
Nutricionista da Clínica Move
@kiakahanutricao

 

Quando poderei voltar a praticar o meu esporte?

Você já deve ter perguntado para algum médico ou fisioterapeuta: “Quando poderei voltar a jogar, correr ou a praticar o meu esporte?” Provavelmente, sim!!! Posso afirmar que essa resposta não é nada fácil de ser respondida. Ai, você pensa… Lá vem ele falar de um monte de informação e me confundir mais do que ajudar. Realmente, por ser uma resposta complexa temos muitos fatores envolvidos.

Em 2016 em uma conferencia mundial de reabilitação reuniram-se vários pesquisadores da área e criaram um consenso sobre essa decisão. https://bjsm.bmj.com/content/bjsports/50/14/853.full.pdf

Nós estamos longe de ter todas as respostas, mas, já estamos organizando critérios claros para organizarmos o seu retorno. E a palavra “CRITÉRIO” é chave nessa decisão. Quando criamos critérios precisos conseguimos que o esportista e o atleta tenham noção em que fase estão e onde querem chegar.

Vamos agora entrar em um ambiente mais técnico da decisão de retorno ao esporte. Muitas vezes a mídia ou nos mesmos nos perguntamos em quanto tempo vamos voltar, e a melhor resposta é “ DEPENDE”. Depende literalmente de você:

  • Qual o nível de condicionamento você está no momento da lesão?
  • Qual o nível você está no momento da reabilitação?
  • Qual o nível você deseja participar nos esportes?

Esse mesmo consenso traz algumas imagens interessantes para entender que retornar ao esporte é uma fase intermediaria a voltar a ter resultados. Para o médico/fisioterapeuta, para o atleta/esportista e para o treinador retornar pode ter diferentes significados. Você pode querer apenas jogar uma bola de qualquer jeito no final de semana, mas você também pode querer jogar bola e perder peso, melhorar sua força, condicionamento ou até mesmo sua técnica.

Retornar em um menor tempo parece traduzir que o tratamento foi excelente, pode até ser. Mas hoje em dia temos que verificar se ao longo daquela temporada, que você esta voltando, você teve ou terá outras intercorrências que possam estar associadas a lesão inicial. E essa última dúvida tem uma resposta simples, “SIM” lesões novas ou “relesões” estão associadas as lesões prévias e a reabilitação moderna e de qualidade tenta relacionar tudo isso e minimizar a causa base ou inicial.

Por isso, retornar ao seu esporte para mim, e para a Medicina do Esporte, é aquele momento onde temos a convicção de que você esta apto a desempenhar seu esporte de maneira segura, com menor riscos possível,  e se você  treinar, se alimentar e descansar adequadamente em pouco tempo seus resultados virão. Boa sorte e bons treinos!

 

Dr. Felipe Hardt

Medico do Exercício e Esporte da Clínica Move

O que é a Artrite reumatoide?

A Artrite Reumatoide é uma doença inflamatória crônica autoimune que acomete principalmente as articulações. É uma doença sistêmica, e por isso, pode afetar outros órgãos, como o pulmão, os olhos, a pele, entre outros. Mas esta é uma situação bem menos frequente.

Os sintomas são:
• Início gradual de dor, inchaço e calor nas articulações, principalmente das mãos, punhos e pés;
• Pode haver uma rigidez articular prolongada pela manhã ao acordar, e ainda dificuldade para realizar atividades diárias como abrir uma jarra, subir escadas, digitar, etc;
• Em até um terço dos pacientes pode haver perda de peso, fadiga, dor muscular e febre baixa.

E como é feito o diagnóstico? A médica(o) perguntará sobre os seus sintomas e fará um exame físico. Irá procurar sinais como inchaço, calor e dor à palpação das articulações que caracteristicamente são acometidas. Ela ainda pedirá alguns exames laboratoriais como o fator reumatoide (em alguns casos o anti-CCP), provas de inflamação (PCR e VHS) e solicitará imagem das articulações de interesse. Alguns outros exames complementares também são pedidos para ajudar em diagnósticos diferenciais.
O tratamento medicamentoso envolve inicialmente o corticoide e recomenda-se o uso mais precoce possível das chamadas drogas modificadoras de doença (como o metotrexato e o leflunomida), e ainda, quando indicados, são prescritos os medicamentos biológicos.
É importante, também, o papel da fisioterapia e terapia ocupacional no alívio da dor e no restabelecimento da função desses pacientes.
Se você tiver algum desses sintomas procure um Reumatologista para afastar ou comprovar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Dra. Carini Otsuzi
Reumatologista da Clínica Move
@reumatologica.oficial

Você que é ciclista, já ouviu falar em “Shermer’s Neck”?

Dra. Fernanda R. Lima

 

Cada vez mais temos visto o crescimento dos esportes de ultra-endurance, como corrida, ciclismo, natação e triatlo. Afinal, o ser humano foi, ao longo da evolução, fisiologicamente programado para ser um dos melhores animais de endurance do planeta.

 

O critério para definir um esporte de ultra-endurance é que ele dure ao menos 6 horas. Para fazer provas de um ou mais dias que tenham essa duração, o atleta tem que procurar melhorar o seu “motor energético” para suportar longos períodos em deslocamento contínuo.  Além disso, o sistema musculoesquelético tem que estar pronto para resistir à fadiga. Do contrário, o atleta fica exposto a um risco muito grande de lesões clínicas e do aparelho locomotor.

 

Uma das lesões mais curiosas no ciclismo de ultra-endurance  é o chamado Shermer’s Neck.  Essa situação é vista em ciclistas que pedalam distâncias muito longas e se caracteriza por uma importante fraqueza da musculatura do pescoço.

 

Ela foi descrita pela primeira vez em 1982 em um ciclista chamado Michael Schermer, durante a prova “Race Across America”, um evento ciclístico que vai de uma ponta a outra dos Estados Unidos. No meio da prova, Schermer perdeu progressivamente a força da musculatura do pescoço enquanto pedalava e de repente não conseguiu mais manter o seu queixo e olhar alinhados para frente. A partir daí, esse quadro foi batizado com o nome dele.

O Schermer’s Neck, em geral, vem acompanhado de dor na região cervical. No entanto, vale lembrar que dor é uma manifestação extremamente subjetivas para esses super atletas, que apresentam alta tolerância ao sofrimento. Outro sintoma descrito é a “diplopia” (visão dobrada do mesmo objeto), acentuada ao tentar elevar os olhos para olhar para um foco mais distante.

 

O que se sabe hoje é que esse quadro decorre uma fadiga extrema da musculatura do pescoço e olhos. Lesões prévias na coluna cervical, vícios posturais na bicicleta, uso de “aerobars” e capacetes pesados com câmeras acopladas são fatores de risco para o ciclista desenvolver o Schermer’s neck durante uma prova longa.

 

O mais impressionante é que, durante as competições, esse problema parece não ser um obstáculo suficiente para o ciclista abandonar a prova. Existem várias soluções “criativas” usando acessórios improvisados para sustentar a cabeça do ciclista na bicicleta. Por exemplo, a ciclista profissional Leah Goldstein teve Schermer’s Neck no meio de uma prova multidias com a média de rodagem 400km por dia. A solução foi trançar uma fita no seu cabelo e prende-la no na faixa do frequencímetro ou no top esportivo, para sustentar a cabeça até o final da prova!

 

A boa notícia é que o Schermer’s Neck é uma situação clínica reversível. O tratamento é basicamente repouso, sono e fisioterapia. Como prevenção, é fundamental fazer um trabalho de fortalecimento específico para a musculatura cervical, fazer um bikefit cuidadoso e conhecer o seu limite de condicionamento físico antes de se inscrever em uma prova de ultra-endurance.

 

 

 

 

 

O que dizem as novas recomendações de atividade física da OMS?

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com
Twitter:
https://twitter.com/tiagopecanha

No último mês, a Organização Mundial da Saúde lançou a nova versão das suas Recomendações de Atividade Física e Comportamento Sedentário. Em linhas gerais, o novo documento reforça a importância da prática de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, mas também adiciona a importância de limitar o período despendido em comportamento sedentário e substituir estes períodos por atividade física de qualquer intensidade.

Para crianças e adolescentes, o documento recomenda a realização de 60 min por dia de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, todos os dias da semana. Em pelo menos 3 dias, atividades aeróbias e de fortalecimento muscular e ósseo, de intensidade vigorosa, devem ser incorporadas.  Por fim, recomenda-se a redução do comportamento sedentário, em particular do tempo de tela recreacional (smartphone, tablet, TV, etc).

Para adultos saudáveis, o documento recomenda a realização de 150 a 300 min por semana de atividade física aeróbia de intensidade moderada à vigorosa.  Além disso, recomenda-se a realização de atividades de fortalecimento, envolvendo os maiores grupamentos musculares, 2 vezes por semana. Por fim, adultos também devem limitar o tempo em atividades sedentárias e substituir por atividades físicas de qualquer intensidade (incluindo atividades de baixa intensidade).

As recomendações para idosos é semelhante à de adultos, com a adição da recomendação de exercícios funcionais e de equilíbrios, que devem ser realizados 3 vezes na semana.

Uma novidade das novas recomendações da OMS é a inclusão de recomendações específicas para gestantes e populações com doenças crônicas. Estes grupos devem realizar pelo menos 150 min de atividade física de intensidade moderada à vigorosa. O documento ressalta algumas precauções que devem ser tomadas para garantir a segurança da atividade física para estas populações.

Por fim, o documento ainda lista algumas mensagens chave, tais como:

  • qualquer quantidade de atividade física é melhor do que não fazer atividade física;
  • todo o tipo de atividade física conta;
  • fortalecimento muscular beneficia a todos;
  • muito tempo em comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde;
  • todo mundo pode se beneficiar do aumento da atividade física e redução do comportamento sedentário. Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK. Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

No último mês, a Organização Mundial da Saúde lançou a nova versão das suas Recomendações de Atividade Física e Comportamento Sedentário. Em linhas gerais, o novo documento reforça a importância da prática de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, mas também adiciona a importância de limitar o período despendido em comportamento sedentário e substituir estes períodos por atividade física de qualquer intensidade.

Para crianças e adolescentes, o documento recomenda a realização de 60 min por dia de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, todos os dias da semana. Em pelo menos 3 dias, atividades aeróbias e de fortalecimento muscular e ósseo, de intensidade vigorosa, devem ser incorporadas.  Por fim, recomenda-se a redução do comportamento sedentário, em particular do tempo de tela recreacional (smartphone, tablet, TV, etc).

Para adultos saudáveis, o documento recomenda a realização de 150 a 300 min por semana de atividade física aeróbia de intensidade moderada à vigorosa.  Além disso, recomenda-se a realização de atividades de fortalecimento, envolvendo os maiores grupamentos musculares, 2 vezes por semana. Por fim, adultos também devem limitar o tempo em atividades sedentárias e substituir por atividades físicas de qualquer intensidade (incluindo atividades de baixa intensidade).

As recomendações para idosos é semelhante à de adultos, com a adição da recomendação de exercícios funcionais e de equilíbrios, que devem ser realizados 3 vezes na semana.

Uma novidade das novas recomendações da OMS é a inclusão de recomendações específicas para gestantes e populações com doenças crônicas. Estes grupos devem realizar pelo menos 150 min de atividade física de intensidade moderada à vigorosa. O documento ressalta algumas precauções que devem ser tomadas para garantir a segurança da atividade física para estas populações.

Por fim, o documento ainda lista algumas mensagens chave, tais como:

  • qualquer quantidade de atividade física é melhor do que não fazer atividade física;
  • todo o tipo de atividade física conta;
  • fortalecimento muscular beneficia a todos;
  • muito tempo em comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde;
  • todo mundo pode se beneficiar do aumento da atividade física e redução do comportamento sedentário.

Recomendações Canadenses de Movimento para as 24 Horas

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

Recentemente, o governo canadense publicou novas Recomendações de Movimento para as 24 horas. Este documento oferece uma direção clara sobre como esses comportamentos devem se integrar ao longo das 24 horas.

De acordo com estas recomendações, 24 horas saudáveis incluem:

  • Realizar vários tipos de atividades físicas, de diversas intensidades, incluindo: (1) atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa que levem a um acúmulo de pelo menos 150 minutos por semana; (2) atividades de fortalecimento muscular, utilizando os maiores grupos musculares, e que sejam realizadas pelo menos 2 vezes por semana; (3) diversas horas de atividades físicas leves, incluindo ficar de pé;
  • Limitar o tempo sedentário por 8 horas ou menos, incluindo: (1) não ultrapassar 3 horas de tempo de tela recreacional; (2) interromper longos períodos na posição sentada frequentemente ao longo do dia.
  • Ter de 7 a 9 horas de sono de boa qualidade regularmente, mantendo a consistência no horário de ir para a cama e de acordar.

 

É possível perceber que o novo documento está de acordo com estudos recentes que demonstram que todos os tipos de movimento importam e que um equilíbrio entre os vários hábitos de saúde é o mais importante para a promoção da saúde. Substituir tempo sedendário com atividade física leve, e substituir a atividade física leve por atividade mais intensa, e mantendo um sono de boa qualidade, pode promover excelentes benefícios de saúde. Adultos que seguem estas recomendações tem menor risco de mortalidade, doença cardiovascular, diabetes do tipo 2, ganho de peso e diversos tipos de câncer. Estas recomendações também estão ligadas a um menor risco de ansiedade, depressão, demencia, e melhora da cognição e qualidade de vida.

Utilização de máscara cirúrgica não afeta o desempenho durante o exercício físico

 

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

 

A utilização de máscara facial é recomendada para a prevenção da transmissão de infecções respiratórias, tais como a do novo Coronavírus (COVID-19). No entanto, existem controvérsias a respeito de um potencial efeito destas máscaras sobre o desempenho físico, sobretudo em exercícios mais intensos.

Recentemente, um estudo canadense investigou se a utilização de máscara cirúrgica ou de pano reduz o desempenho físico durante um teste progressivo máximo em cicloergômetro. Participaram desse estudo 14 adultos (homens e mulheres), fisicamente ativos e saudáveis.

Estes indivíduos realizaram um teste progressivo em cicloergômetro até a exaustão, em três dias distintos.  Em um dos dias, os indivíduos realizavam o teste sem máscara, enquanto nos outros dois dias, eles realizaram os testes com máscara cirúrgica ou de pano. Foram avaliados o desempenho máximo atingido nos testes (i.e., carga máxima atingida e tempo até a exaustão), a saturação de oxigênio arterial, saturação de oxigênio tecidual e a frequência cardíaca. O principal achado deste estudo foi que a utilização de máscaras faciais não afetou o desempenho dos voluntários durante o exercício. Além disso, não houve diferenças relevantes na saturação de oxigênio arterial ou tecidual, indicando que a utilização destas máscaras não causa hipóxia geral ou tecidual, sendo, portanto, segura.

Estes achados estão de acordo com estudos prévios que também identificaram que máscaras cirúrgicas não afetam ou afetam muito pouco o desempenho durante o exercício físico. No entanto, não pode se dizer o mesmo sobre as máscaras N95. Um estudo alemão verificou que este tipo de máscara reduz o desempenho e o consumo máximo de oxigênio durante o exercício em cicloergômetro. Este estudo também relatou um aumento de sensações desconfortáveis durante o exercício, tais como aumento do calor e da umidade no rosto, fadiga e dificuldade de respirar, com o uso da máscara N95.

Estas informações podem ser úteis na criação de medidas de prevenção do COVID-19 em estabelecimentos de exercício físico (academias, clínicas, estúdios de personal training). É importante destacar que a prioridade deve ser a prevenção da transmissão do vírus. Pessoas que praticam exercício de maneira recreativa devem sempre utilizar as máscaras, uma vez que pequenas reduções do desempenho possuem significado pequeno frente ao risco imposto pelo vírus.

As novas tecnologias podem te ajudar a se manter ativo

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

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A prática diária de atividades físicas é um hábito que trás inúmeros benefícios para a saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adultos devem realizar pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana. Para aqueles que desejam emagrecer, o volume de atividade deve ser maior, e o Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda pelo menos 250 minutos  de atividade física moderada por semana. Já com relação às crianças e adolescentes, a recomendação é que as mesmas realizem 60 minutos de atividade física moderada à vigorosa por dia. Além destas recomendações específicas de atividade física, todos os indíviduos devem evitar períodos prolongados na posição sentada ou deitada ao longo do dia, e tentar substituir esses comportamentos por atividade física leve.

Embora estas recomendações sejam claras, muitas pessoas ainda tem dúvidas em como medir e acompanhar a sua atividade física semanal. A boa notícia é que atualmente existem diversos equipamentos que podem te ajudar nesta tarefa. A maioria dos smartphones possui aplicativos que medem o seu número de passos diários e a distância caminhada por dia. Além disso, existem aplicativos específicos, como o Strava ou RunKeeper, que medem o seu desempenho durante a corrida ou ciclismo. A utilização desses aplicativos é fácil e eles criam um histórico de atividade física que te ajudam a acompanhar a sua evolução, e a ficar atento quanto à oscilação (para cima ou para baixo) dos seus níveis de atividade física. Mais recentemente, os relógios inteligentes (ou smartwatches) tem se tornado populares entre os praticantes de exercício. Marcas como a Fitbit, Apple, Polar e Garmin possuem diversos modelos que permitem medir diversos parâmetros de atividade física diária e dos exercícios ou esportes praticados. Com esses equipamentos é possível saber o seu número de passos diários, distância percorrida, ritmo de corrida, ciclismo ou natação (pace), frequência cardíaca e gasto energético.

Um estudo de revisão recente, publicado no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, verificou que a utilização destes equipamentos tecnológicos (também denominados de wearables) promove aumento da atividade física diária e melhora de diversos parâmetros de saúde em adultos sedentários ou com doenças crônicas. Mais especificamente, indivíduos que utilizaram este equipamento deram, em média, 2123 passos a mais por dia do que indivíduos que não utilizaram, e este aumento da atividade física diária se associou a redução da pressão arterial e do colesterol ruim. Outros estudos também tem sugerido que a utilização destes equipamentos pode auxiliar no aumento da atividade física em crianças e adolescentes; ou na redução da gordura corporal em indivíduos com excesso de peso.

Desta forma, a utilização dos wearables pode ser uma estratégia interessante e viável para o acompanhamento da atividade física diária, e para o monitoramento de diferentes exercícios. Consulte um profissional de educação física, que ele pode te ajudar a escolher o melhor modelo, e a te ensinar quais parâmetros devem ser utilizados e seguidos. Se você tem uma doença crônica, verifique com o seu médico quais são as adaptações que devem ser feitas e como ficar de olho nos sinais e sintomas.

 

Cidades ativas são mais saudáveis

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

 

A inatividade física é um dos principais fatores de risco modificáveis para o surgimento de doenças crônicas não-transmissíveis, que são as principais causas de morte no mundo. Estima-se que 30 a 40% da população mundial não atinja as recomendações de atividade física da Organização Mundial de Saúde, sendo que esta proporção é ainda maior em adolescentes e idosos. Além de aumentar a morbimortalidade da população, a inatividade também trás impactos econômicos importantes, com estimativas que possa gerar um custo de mais de 50 bilhões de dólares por ano aos sistemas de saúde.

Diversos fatores contribuem para os baixos níveis de atividade física da população, e um aspecto que tem sido muito discutido nos últimos anos é a importância do ambiente construído. O ambiente constuído se refere aos ambientes feitos pelo homem e que dão condição para as atividades humanas. Exemplos incluem prédios, ruas e calçadas; sistemas de transporte; praças, parques e outros espaços verdes; bairros, cidades e toda a infra-estrutura de suporte, como redes de esgoto e de energia.

Embora este seja um conceitos amplos e que possui aplicações específicas em diferentes áreas do conhecimento e da atividade humana, é sabido que características do ambiente construído afetam os níveis de atividade física de uma população. A presença de calçadas amplas e seguras, de ambientes verdes e esteticamente prazerosos e proximidade com ciclovias e parques públicos favorecem a mobilidade urbana e a prática de atividade física, seja de transporte ou de lazer. Por outro lado, ambientes pobres em áreas verdes, com calçadas estreitas e/ou mal pavimentadas, baixa iluminação e com alta circulação de carros e poluição afastam as pessoas da atividade física.

Nas últimas décadas, em muitas cidades do mundo o poder público tem agido de forma a construir uma infra-estrutura que favoreça a mobilidade urbana e a prática de atividade física.  Um bom exemplo nesta linha é a construção de ciclovias e o estímulo à utilização de bicicletas. Um estudo de caso interessante é o da cidade de Amsterdã, nos Países Baixos. Em Amsterdã, 58% dos adultos usam a bicicleta diariamente (sendo que em 38% esta é a principal forma de transporte) e existem cerca de 800 km de ciclovias espalhados pela cidade. Além disso, estimam-se que existam 880 mil bicicletas em Amsterdam, o que faz com que o número de bicicletas seja maior que o da prórpia população total da cidade (aproximdamente 800 mil). Além de favorecer a mobilidade urbana sustentável, a prática do ciclismo trás inúmeros benefícios de saúde aos holandeses. Estima-se que o ciclismo previna 6500 mortes por ano e que promova o aumento da expectativa de vida em 1,5 anos entre todos os holandeses.

Com a pandemia do COVID-19, muitas cidades europeias também passaram a estimular o ciclismo para evitar a aglomeração de pessoas nos metrôs e ônibus. É possível que estas políticas públicas tragam beneficios de saúde adicionais ao controle da pandemia. Em um momento em que as pessoas estão sendo orientadas a não se aglomerarem em locais fechados, é possível que aspectos da infra-estrutura urbana passam a ser repensados de forma a favorecer a prática de atividades físicas no ambiente externo.

Exercícios de alta complexidade no tratamento da doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o movimento e que é caracterizada pela presença de tremores nos membros, rigidez e dificuldades na marcha, e perda do equilíbrio e da coordenação motora. Pacientes com esta doença também podem apresentar outros sintomas como depressão, distúrbios do sono e disfunção urinária.

Embora não exista cura para a doença de Parkinson, o tratamento medicamentoso é eficaz em reduzir os principais sintomas e melhorar a qualidade de vida, retardando a progressão da doença. Outras terapêuticas envolvem a terapia de estimulação cerebral profunda e a realização de fisioterapia e terapia ocupacional. Recentemente, tem sido demonstrado que a prática de exercícios físicos também possui um papel importante no tratamento desta doença. Particularmente, exercícios complexos que combinam diferentes capacidades motoras (ex: agachar e levantar em uma plataforma instável, exercícios na bola de pilates) ou exercícios que combinam demandas físicas e cognitivas parecem produzir diversos benefícios para esta população.

Uma série de trabalhos conduzidos pelo grupo da Dra. Carla da Silva Batista (Escola de Educação Física e Esporte da USP) tem demonstrado que protocolos de treinamento com alta complexidade motora promovem aumento da força muscular e da mobilidade, e melhora da função cognitiva, do equilíbrio e da qualidade de vida nesta população. Em um dos trabalhos mais recentes deste grupo, foi verificado que o treinamento com alta complexidade motora reduziu em 60% a ocorrência do congelamento da marcha (ou “freezing” em inglês) e em 70% os sintomas motores da doença. Ainda neste estudo, foi verificado que o treinamento físico promoveu uma melhora funcional em áreas do cérebro relacionadas ao controle do movimento.

Por conta de todos os benefícios apontados acima, o treinamento físico com alta complexidade deve ser estimulado para este tipo de paciente. No entanto isto deve ser implementado de maneira progressiva, começando com exercícios mais simples e que envolvam apenas uma tarefa, e progredindo gradativamente para exercícios mais complexos e de dupla tarefa. A supervisão de profissionais treinados é fundamental para o sucesso da terapêutica.

Tiago Peçanha, Consultor da Clínica Move – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

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