Os principais desafios no tratamento da Síndrome de Overtraining

  1. Diagnóstico tardio: a SO é frequentemente subdiagnosticada devido à sua baixa incidência e à semelhança dos sintomas com outras condições, como síndrome pós viral, síndrome pós-COVID-19 e síndrome de fadiga crônica.

  2. Multissistêmico e complexo: a SO afeta diversos sistemas do corpo, como o endócrino, nervoso, imunológico e gastrointestinal.

  3. Falta de protocolos padronizados: não há diretrizes amplamente aceitas para o retorno seguro ao esporte ou para evitar recaídas.

  4. Impacto psicológico: a necessidade de cessar o treinamento e lidar com sintomas inexplicáveis pode gerar estresse emocional, ansiedade e depressão nos atletas, dificultando a adesão ao tratamento.

  5. Recuperação prolongada: o tempo de recuperação varia muito entre os indivíduos, podendo levar meses ou até anos.

  6. Risco de recaída: mesmo após a recuperação, há o risco de reincidência caso os fatores desencadeantes não sejam adequadamente gerenciados.

  7. Falta de conscientização: a SO ainda é pouco compreendida por muitos profissionais de saúde e treinadores, o que pode levar a tratamentos inadequados ou à falta de suporte necessário.

Esses desafios destacam a importância de uma abordagem multidisciplinar, com foco na saúde física e mental do atleta, além de maior conscientização sobre a condição entre a comunidade médica e esportiva.

Dra. Ana Lucia de Sá Pinto
Pediatra e Médica do Exercício de Esporte da Clínica Move
CRM:57.296

RQE:50442

RQE:47998

Referencia: Kreher JB, et al. BMJ Case Rep 2025;18:e265066. doi:10.1136/bcr-2025-265066