Volta às aulas – O que levar de lanche?

A volta às aulas sempre traz a necessidade de planejar o que mandar na lancheira dos filhos. A vida agitada de hoje requer alimentos práticos; porém, nem sempre o mais prático é o mais saudável.

Muitos produtos comuns nos lanches dos pequenos na verdade são considerados alimentos ultraprocessados, ou seja, alimentos que lembram muito pouco o alimento de origem e que contém altas quantidades de açúcar, sal, conservantes, etc. Um bom exemplo disso é o suco de frutas “de caixinha”, ou as famosas bolachas recheadas, todos ricos em açúcar e calorias. Então, como escolher melhor esses itens sem deixar de lado a praticidade? Aqui vão alguns exemplos:

No final de semana, reserve um tempo com seus filhos e faça com eles uma receita de cookies caseiros, que podem até ser feitos com farinha de trigo integral ou mistura de farinhas (amêndoa, coco, linhaça) para os que não toleram glúten. Geralmente, as crianças apreciam muito esse tempo com os pais e se divertem cozinhando seus próprios lanches. O mesmo vale para um bolo simples, que pode ser adicionado de fibras, de pedaços de chocolate amargo, aveia, nibs de coco etc. É possível achar muitas receitas interessantes na internet ou em livros de culinária. Essas preparações costumam durar alguns dias fora da geladeira e certamente serão melhores que qualquer produto industrializado similar.

Uma outra dica para as bebidas é preparar suco natural de frutas (laranja, melão, morango) e levar em garrafinhas apropriadas.  Na falta de frutas, usar os sucos de fruta concentrados sem açúcar  (atenção: evite o néctar ou refresco, cheios de açúcar) ou polpas congeladas pode ser uma opção, com a vantagem de se controlar o tipo e a quantidade de açúcar utilizado. Açúcar demerara, orgânico, ou adoçantes naturais podem ser usados, a depender do caso.

Há também nas lojas de produtos naturais e empórios uma linha de snacks saudáveis como chips de couve, de beterraba, de batata doce, que são feitos com menos sal e com vegetais liofilizados ou assados, o que mantém a crocância e conferem um valor nutricional superior.

Por fim, frutas desidratadas e castanhas, nozes, sementes, podem ser interessantes em forma de mix. Outra opção seria enviar alguns queijos, ovo cozido, barras de proteínas ou de cereais caseiras.  Sobre esses dois últimos, é possível encontrar nessas lojas algumas marcas com poucos ingredientes, entretanto o preço ainda é alto. Vale a pena preparar essas receitas em casa. Enfim, com um pouco de criatividade e tempo, podemos melhorar a qualidade dos lanches das crianças e contribuir para a qualidade alimentar e a saúde dos nossos filhos.

Profa. Dra. Patrícia Campos-Ferraz
Nutricionista da Clínica MOVE

A seguir uma receita para fazer com seus filhos

Brownie

  • 200g purê de maçã
  • 250g cacau em pó
  • 3 ovos
  • ½  xic de açúcar demerara, mascavo ou orgânico (se necessário)
  • 1,5 xicara de farinha de trigo (aqui podemos colocar metade farinha branca e metade integral ou uma mistura em partes iguais de farinha de amêndoa + farinha de coco + farinha de linhaça)
  • 1 colher de sobremesa de fermento em pó

Aquecer o forno a 180 graus.  Untar e enfarinhar uma forma retangular. Bater os ovos com açúcar até formar um creme.  Misturar à parte o cacau e o purê de maçã, depois juntá-los à mistura de açúcar e ovos.  Juntar a farinha e o fermento  à massa e misturar delicadamente, apenas para incorporar a farinha. Despejar a massa na forma untada e levar ao forno por 15 a 20 minutos.

Retirar, deixar esfriar, cortar em pedaços pequenos e montar os lanches.

“Crescimento sustentável” ou “desenvolvimento sustentável”

Essas são expressões cada vez mais em moda nos últimos anos tanto no mundo corporativo como na nossa rotina pessoal.

Significado: “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais” – Relatório Brundtland.

Trazendo para a nossa realidade e para o contexto de praticantes de atividades físicas, vamos considerar nossos objetivos físicos como processos de “desenvolvimento sustentável”. É fato que a grande maioria de nós é movida a novos desafios, mas não custa nada lembrar que esses desafios são precedidos de muita dedicação, disciplina, conhecimento técnico e, porque não, humildade. Humildade sim, pois nem sempre reconhecemos nossos limites e traçamos objetivos que não são compatíveis com nossa capacidade atual.

“Desenvolvimento sustentável” em atividade física é, na minha opinião, proporcionar condições para que nosso organismo evolua e acompanhe nossos objetivos físicos. Nosso corpo é uma “empresa” que, para crescer, precisa de capital (alimentação, sono, hidratação), infraestrutura (músculos fortes, ossos saudáveis, metabolismo físico e psíquico equilibrado), mão de obra qualificada (equipe multidisciplinar de treinamento) e uma excelência em gerenciamento (VOCÊ). Para que você tenha essa “empresa” sempre competitiva no mercado e gerando lucros, há a necessidade de planejamento e preocupação contínua nos conceitos acima.

Posso fazer uma maratona ou um Ironman nesse ano? Minha rotina permite esse planejamento? Meu físico está pronto para receber essa carga de treinamento? Se não está, o que preciso fazer? Posso pular etapas? Tenho todos os fatores para obter esse “desenvolvimento sustentável”?

Esse texto inicial serve como um incentivo para que conversemos mais, para que troquemos mais idéias e experiências (boas e ruins) e para que valorizemos nossa comunidade de praticantes de atividades físicas, corredores, ciclistas, nadadores, treinadores e profissionais parceiros (médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, massoterapeutas).

Um abraço a todos.

Alexandre Ferrari
Fisioterapeuta formado pela USP em 1996
Especialista em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP em 2000
Ex-atleta de voleibol, corredor amador há 30 anos, triatleta amador há 9 anos, Ironman finisher.