Estatinas e dores musculares

Não é incomum ouvirmos que as estatinas (remédios para abaixar o colesterol) são causadoras de dores musculares. Muitas vezes, até mesmo colegas da área de saúde, médicos e não médicos as citam como vilãs. Na área de exercício e esporte, dores musculares, cãimbras e lesões são problemas que nenhum atleta gostaria de ter como efeito colateral de uma medicação.

Pois é, apesar de toda essa crença, recentemente, trabalho realizado com pacientes que haviam interrompido o uso das estatinas por queixas musculares, demonstrou que não houve diferença entre as queixas referidas por eles entre os momentos que usaram placebo e o momento que usaram estatina (nesse estudo – atorvastatina 20mg). O interessante desse estudo foi que os pacientes fizeram vários ciclos aleatórios, de 2 meses de duração, da medicação ou placebo.

Esses achados levantam a questão do efeito nocebo, onde a expectativa pelos efeitos colaterais faz com que os pacientes atribuam suas queixas de dores musculares ao uso das estatinas.

Ora, cai-se por terra que as estatinas não causam sintomas musculares? Não, não cai, essas queixas podem ocorrer, mas não são regra e casos que exigem interrupção da medicação a minoria.

Se você usa a medicação é porque ela está indicada como benéfica ao seu perfil de risco cardiovascular. É para lhe proteger. Por isso:

– Não interrompa a medicação por conta própria. Converse com seu médico caso acredite estar com sintomas que possam estar associados aos efeitos colaterais das estatinas. Ele traçará com você o melhor caminho e lhe dará opções

– Não esqueça de seguir sua planilha, com aumento de volume e intensidade compatíveis com a fase que você se encontra de treinamento, descanse, hidrate-se, alimente-se adequadamente. Todos esses fatores, se não seguidos, podem desencadear dores musculares, lesões e cãimbras.

Ref Errett E et al BMJ 2021;372:n135 | doi: 10.1136/bmj.n135

Dra. Luciana Janot
Cardiologista da Clínica Move

Como é feito o tratamento não medicamentoso da fibromialgia?

A base do tratamento da fibromialgia são as medidas não medicamentosas, dentre elas:
1) Educação sobre a doença – é importante que o paciente e seus familiares saibam:
• Reconhecer os sinais e sintomas;
• Identificar os fatores de piora e melhora;
• A doença é benigna: não deforma, não afeta a função de órgãos internos, não coloca o paciente em risco de vida;
• A doença apresenta curso crônico não progressivo, com períodos de melhora e piora ao longo do tempo;
• A importância das medidas não medicamentosas.

2) Prática regular de atividade física, se possível associando:
• Exercícios aeróbios como a caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica;
• Exercícios de fortalecimento muscular;
• Exercícios de flexibilidade;
• Exercícios neuromotores.

3) Psicoterapia, com ênfase para a terapia cognitivo-comportamental.

4) Higiene do sono.

Se você tem o diagnóstico de Fibromialgia, marque uma consulta com o reumatologista.

Dr. Henrique Ayres
Clínico Geral e Reumatologista da Clínica Move

Fatores de Riscos de Lesões na Corrida

Cada vez mais as pessoas buscam hábitos saudáveis de vida (melhorar a saúde, a qualidade do sono, reduzir a massa corporal, diminui risco de osteoporose e melhorar a aptidão física). Muitas delas escolhem a corrida como forma de exercício físico, por ser considerada uma atividade física de baixo custo e fácil de fazer porque não precisamos de um local específico, podemos correr na rua ou no parque.
No treinamento de corrida, o uso excessivo do membro inferior faz com que essa região se torne mais suscetível a lesões como:
• síndrome patelofemoral;
• síndrome do trato iliotibial;
• dor lombar;
• fratura por estresse e canelite (dor na canela);
• fasciite (dor na “sola” do pé).
Vários estudos foram realizados para determinar possíveis fatores de risco para lesões em corredores. Há dois tipos principais de fatores de risco de lesões musculoesqueléticas:
1- fatores intrínsecos (biomecânica, genu valgo, diferença de comprimento das pernas, sono, nutrição, idade, lesões prévias e gênero);

2- fatores extrínsecos (relacionados às características do treinamento ou equipamentos).
Para prevenir o aparecimento de lesões é importante realizar, previamente, uma avaliação biomecânica da corrida. Nessa avaliação o fisioterapeuta avalia e detecta alterações no gesto esportivo que podem estar associados as lesões ostemioarticulares. Dessa forma a correção auxilia no tratamento, previne novas lesões e otimiza a performance do atleta. Essa avaliação irá programar exercícios educativos para:
• evitar movimentos compensatórios;
• adequar o passo de corrida;
• ajustar o posicionamento do centro de gravidade (se o corpo está inclinado para frente; para trás, ou para um dos lados;
• minimizar o movimento excessivo dos quadris na hora de correr;
• orientar a posição do joelho e dos pés, entre outros tópicos.
A avaliação biomecânica da corrida é relevante não só para os praticantes de corrida, mas também para a correção da marcha para o dia a dia, e todas as outras modalidades que a corrida também faz parte como o futebol, handebol e basquete.

Bárbara Hossni Espinhel
Fisioterapeuta da Clínica Move

 

Pacientes imunodeprimidos fisicamente ativos têm melhor resposta vacinal

Já sabemos que o funcionamento do sistema imune é diminuído em indivíduos idosos, usuários de corticoides e outros moduladores imunológicos, assim como, em obesos. Pensando nisso, pesquisadores da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina USP avaliaram a segurança e a efetividade da CoronaVac em portadores de doenças reumáticas autoimunes, entre elas artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, artrite psoriásica, vasculite primária e esclerose sistêmica.

Esse estudo não só confirmou a segurança da vacina, como também, mostrou que ela induz uma resposta aceitável, ainda que reduzida, nesse grupo de pacientes. Importante ressaltar que uma resposta vacinal mais fraca era esperada já que grande parte desses pacientes faz uso de medicações que reduzem a atividade do sistema imune.

Estudos anteriores já mostraram que um estilo de vida ativo protege contra o agravamento da COVID-19 e, reduz as internações. Outros estudos já mostraram que a reposta vacinal pode ser diferente entre os indivíduos fisicamente ativos e sedentários. Nesse sentido, os pesquisadores analisaram 898 pacientes imunossuprimidos, e 494 foram classificados como ativos e 404 como inativos. Além disso, participaram 197 voluntários sem doença autoimune (grupo controle), sendo 128 ativos e 69 inativos.

O resultado da análise foi muito interessante porque mostrou que os pacientes imunossuprimidos fisicamente ativos apresentaram uma chance 1,4 vez maior que os inativos de atingir a soroconversão. “Dizendo isso de outra forma: para cada dez pacientes inativos que soroconverteram após a segunda dose da vacina, há 14 pacientes fisicamente ativos que atingiram o mesmo resultado”, explica o Prof. Bruno Gualano.
Os voluntários sem doença autoimune, a chance de soroconversão foi 9,9 vezes maior entre os fisicamente ativos.

Esses resultados reforçam a importância da atividade física na melhor reposta vacinal contra a COVID-19 independentemente de fatores como o uso de imunossupressores.

Procure o seu médico para ter liberação e receber orientação adequada para a prática de atividade física regular.

Dra. Ana Lucia de Sá Pinto
Pediatra e Médica do Exercício e Esporte

Risco de lesões no Triathlon

A palavra triathlon vem do latim e significa três combates, ou seja, três modalidades sendo competidas em um único esporte: natação, ciclismo e corrida. Esse esporte melhora a capacidade do sistema cardiopulmonar, fortalece a musculatura, combate depressão, ajuda a prevenir a diabetes e auxilia na saúde mental do indivíduo. O triathlon por reunir as 3 modalidades em uma única competição, requer amplo preparo físico e, se o atleta não tomar cuidado poderá se lesionar. Essas lesões podem aparecer tanto nas competições quanto nos treinamentos. Lesões mais comuns:

Natação🏊
• Tendinopatia do manguito rotador (conjunto de 4 músculos do ombro);
• Tendinopatia de flexores e extensores de tornozelo (pelo uso de pé de pato).

Ciclismo🚴
• Dor no joelho por atrito da banda iliotibial;
• Lombalgia e cervicalgia em decorrência da posição na bicicleta.

Corrida 🏃🏿
• Dor patelofemoral (região anterior do joelho);
• Síndrome da banda iliotibial;
• Fratura por estresse;
• Fasciite plantar

Um estudo publicado em 2020 “Triathlon-related musculoskeletal injuries: a study on a Portuguese Triathlon Championship”, mostrou que as lesões no joelho observadas nestes atletas são decorrentes do impacto na corrida, da posição na bike ou erro de execução do movimento em dos 3 esportes.

Para evitar e/ou minimizar os riscos de lesão o atleta precisa:

1- Ter uma programação do treinamento das 3 modalidades com um profissional capacitado, respeitando a fase de repouso;
2- Acrescentar no seu treinamento exercícios de fortalecimento muscular, flexibilidade e neuromotor;
3- Fazer avaliação biomecânica dos gestos esportivos para detectar alterações e corrigi-las;
4- Utilizar os equipamentos adequados, no caso do ciclismo fazer bike fit, em que um profissional com formação nessa avaliação adaptará a bicicleta para o corpo do atleta, e no caso da corrida, escolher o calçado mais adequado para o seu tipo de pé e pisada.

Bárbara Hossni Espinhel
@fisio.bahossni
Fisioterapeuta da Clínica Move

Por que sentimos mais dor no inverno?

A ciência tem pesquisado sobre essa informação, mas ainda não há nenhuma informação conclusiva.
Uma das teorias vigentes diz que a alteração barométrica gera a expansão dos tecidos e isso leva a percepção de desconforto, dor e rigidez no aparelho locomotor.
Além disto, para tentar manter a temperatura corporal diante da exposição ao frio, a nossa tendência é contrair nossa musculatura de forma mais intensa. Isso leva a fadiga e dores musculares, em especial nos músculos do pescoço e ombros.

Um outro mecanismo gerador de dor seria o espasmo dos vasos dos braços e das pernas, para poupar a temperatura interna. O intuito desse mecanismo é mandar mais sangue para o centro do corpo, onde estão os órgãos nobres. Essa falta de circulação na periferia também gera esse desconforto, dor e rigidez nos músculos, tendões e articulações.
Por fim, o frio derruba o humor de muitas pessoas. Em pacientes com algumas doenças crônicas que geram dor, o humor mais depressivo pode amplificar a sensação de dor que essas pessoas já apresentam.
Dito isto, para evitar essas dores chatas do inverno, em especial nos pacientes com doenças reumatológicas, procure se agasalhar bem e se manter em movimento.

Dra. Fernanda R. Lima @fefarlima
Reumatologista e Médica do Esporte da Clínica Move

Uma vida saudável deve ser uma vida feliz

Para investigar quais seriam os preditores para uma vida longa e saudável, um estudo conduzido pela Universidade de Havard acompanhou 724 homens de várias origens sociais por 75 anos. Os pesquisadores coletaram todos os tipos de informações de saúde e de bem-estar mental e emocional.

Aqui vão algumas conclusões do estudo:

– A felicidade é um dos pilares para uma vida saudável.
– Comportamentos específicos estão associados a maiores níveis de felicidade. Um deles é focar no que traz bem-estar. (Quais atividades te deixam feliz e o que te impede de realizá-las? Pense na sua infância. O que você gostava quando era mais jovem? Tente voltar a essas atividades que trazem alegria.

Mas a descoberta surpreendente foi que: nossos relacionamentos e o quão felizes somos neles tem uma influência poderosa em nossa saúde. Cuidar do corpo é importante, mas cuidar dos relacionamentos também é uma forma de cuidar de si mesmo. Bons relacionamentos, mais do que dinheiro ou fama, são o que mantém as pessoas felizes por toda a vida, revelou o estudo. Esses laços protegem as pessoas dos descontentamentos da vida, ajudam a retardar o declínio mental e físico e são melhores preditores de uma vida longa e feliz do que a classe social, o QI ou mesmo os genes. “A conexão pessoal cria estimulação mental e emocional, que são impulsionadores automáticos do humor, enquanto o isolamento destrói o humor”, diz um dos pesquisadores.

E isso não está relacionado ao fato de ser casado ou não ou à quantidade de amigos que o indivíduo tem, está relacionado à qualidade dessas relações. Então, devemos nos concentrar em relacionamentos positivos e deixar para trás as pessoas negativas em nossas vidas, ou pelo menos minimizar suas interações com elas.

Então a mensagem final é: mantenha-se conectado com o que e, sobretudo, com quem te faz bem e feliz 😉

Dra. Mirela Miranda @dra.mirelamiranda
Endocrinologista da Clínica Move

 

Vacina contra o HPV

O HPV está relacionado a alguns tipos de câncer (colo de útero, pênis, vagina, ânus, vulva e orofaringe) e verrugas genitais. O uso de camisinha na relação sexual diminui a chance mas não elimina a possibilidade de contaminação.

A vacina contra o HPV está disponível no SUS pelo programa nacional de imunizações desde 2014. Estudos envolvendo milhões de pessoas já comprovaram o benefício dessa vacina.

No SUS a vacina está disponível para:
– pessoas de 9 a 14 anos de ambos os sexos;
– mulheres imunossuprimidas de 9 a 45 anos;
– homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos.

Se você não faz parte desses grupos pode tomar a vacina na rede particular.

Um estudo realizado entre 2005 e 2010 demonstrou que a vacina não induz comportamento sexual de risco.

Lorenza Silverio
Reumatologista da Clínica Move

#clinicamove #hpv #saudeintima #vivaosus

A obesidade e seus riscos para saúde

A obesidade vem se tornando um problema de saúde púbica mundial. No Brasil, uma em cada cinco pessoas está acima do peso e a prevalência de obesidade passou de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. O crescimento da obesidade veio acompanhado do aumento da prevalência de diabetes e hipertensão.

O ganho de peso está relacionado a um desequilíbrio entre o consumo e gasto de calorias, levando a um acúmulo enérgico, principalmente na forma de gordura. Além dos conhecidos fatores ambientais como hábito alimentar e sedentarismo, os fatores genéticos relacionados à maior predisposição a lipogênese (acúmulo de gordura) e a menor lipólise (quebra de gordura) também têm grande influência. Sendo assim, a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, a qual requer um acompanhamento contínuo a longo prazo.

A obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de dezenas de outras doenças crônicas, que causam prejuízo à qualidade de vida dos pacientes, além de serem potencialmente fatais. As doenças correlacionadas mais conhecidas são diabetes mellitus, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Além dessas, o excesso de peso pode levar doenças do sistema respiratório, do sistema digestório e osteomusculares, sendo, também, fator de risco para o desenvolvimento para alguns tipos de cânceres como de mama, endométrio, próstata e cólon.

Com o crescimento da epidemia de obesidade, têm surgido diversas propostas de tratamentos para perda de peso. Infelizmente, nem todas têm sua eficácia cientificamente comprovada e algumas podem inclusive trazer riscos à saúde dos pacientes. Tem se tornado evidente que medidas drásticas de perda de peso e abordagens estreitas para o tratamento da obesidade raramente são eficazes e que uma estratégia mais ampla e multidisciplinar baseada em pequenas mudanças de estilo de vida é mais viável para os pacientes, produzindo resultados mais consistentes.

Baseados nas mais atuais evidências científicas, nós da Clínica MOVE acreditamos que os cuidados multidisciplinares voltados para abordagens práticas para a mudança de estilo de vida em pequenos passos podem ser um meio eficaz de tratamento para muitos pacientes que necessitam perder de peso. Por isso, oferecemos acompanhamento com um time de especialistas compostos por endocrinologistas, nutricionistas, educadores físicos e terapeuta comportamental, trazendo um conjunto único de habilidades para atender às necessidades do paciente.
Os médicos abordam problemas médicos que podem afetar a perda de peso e outras doenças associadas (diabetes, hipertensão…) além de ajudarem os pacientes a estabelecer suas metas, enquanto os nutricionistas ajudam os pacientes a aprenderem gradualmente a comer menos e a incorporar alimentos saudáveis em suas dietas. Os educadores físicos ensinam formas práticas de inserir, de forma adequada, a atividade física no dia a dia e os terapeutas comportamentais ajudam os pacientes a se prepararem mentalmente para o processo de mudança de estilo de vida e abordam as barreiras à mudança.

Com a atuação de todos os membros da equipe multidisciplinar aliados ao compromisso contínuo dos pacientes, traçamos objetivos práticos e, a pequenos passos, podemos chegar a grandes resultados no alcance da perda de peso saudável e duradoura.

Dra. Mirela Miranda
Endocrinologista da Clínica Move

Saúde mental em momento pandêmico: o que já sabemos?

A pandemia de COVID-19 impôs mudanças e restrições que atinge o modo de estar-no-mundo das pessoas. Impacto este que acarreta no aumento da prevalência de distúrbios mentais.

Os principais notificadores de risco à saúde mental associados ao momento de pandemia de COVID-19 são os dos espectros sintomatológicos vinculados aos quadros de:
• Depressão
• Ansiedade
• Pânico
• Estresses Pós-traumático

Esses quatro quadros sintomatológicos podem ser expressos por alterações na rotina de sono, com mudança dos hábitos alimentares, passando pela incapacidade de realização de tarefa até à impossibilidade de um indivíduo manter uma rotina.

Em casos mais agravados, atinge a capacidade da pessoa acometida enfrentar adversidades chegando até a constante sensação de estar com a sua vida em risco e/ou sensação de morte.

Adolescentes têm piora na saúde mental durante a pandemia

Um estudo recente divulgado pela revista The Lancet aponta que o impacto da pandemia de COVID-19 é muito significativo para a saúde mental de adolescentes, mesmo aqueles que não foram contaminados.
Conforme relatado pelos pesquisadores islandeses, pode-se chamar essa faixa etária de “geração perdida”. Sem oportunidades de desenvolvimento central, os dados coletados na pesquisa mostram que sintomas depressivos aumentaram e o bem-estar mental decaiu entre os jovens.

O pesquisador Ingibjorg Thorisdottir e seus colegas estão entre os primeiros a abordar essa quaestão com dados empíricos sobre uma população adolescente. Eles compararam trajetórias de sintomas antes da pandemia (em 2016 e 2018) com sintomas depressivos durante a pandemia.

Cerca de 60 mil jovens entre 13 e 18 anos participaram do estudo, gerando dados únicos e muito necessários. A piora na saúde mental, em geral, foi mais notável entre as meninas de 13 a 18 anos.

Apesar do quadro negativo, houve uma redução no consumo de cigarros e vaporizadores e também nos casos de intoxicação por abuso de álcool entre jovens de 15 a 18 anos, durante a pandemia.

Saúde mental é foco de recomendação da OCDE

No último dia 8 de junho de 2021, mais de um ano após o início ‘oficial’ da pandemia de COVID-19, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou relatório em que recomenda “investimentos e qualidade do atendimento em saúde mental devem ser aumentados com urgência”.
Os prejuízos de ordem social e econômica associados aos transtornos mentais causados ou piorados pela pandemia são alvo do relatório.

Antes da pandemia, a estimativa é que uma em cada duas pessoas já havia sofrido de transtornos mentais e que uma em cada cinco estava afetada de forma permanente.
Das pessoas que desejam receber cuidados de saúde mental, 67% relataram ter dificuldades para obtê-los, conforme consta no documento da OCDE.

Impactos na memória e cognição

Um estudo feito no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, revelou que a memória e a cognição são frequentemente afetadas nos pacientes pós- COVID-19:

83,3% dos pacientes desenvolveram dificuldades cognitivas;
62,7% tiveram a memória a curto prazo afetada;
26,8% sofrem de perda de memória de longo prazo.
Quer saber mais sobre os danos causados pela COVID-19? Clique aqui (http://www.move.med.br/2021/06/01/disfuncao-cognitiva-e-da-memoria-pos-covid-19/)

O que é “Long Covid”?

Também conhecida como síndrome de pós-COVID-19 é o conjunto de sintomas que seguem por semanas ou meses depois da infecção viral.

Fadiga, falta de ar, dores no peito, perda de memória e concentração, insônia, tontura, dores articulares, depressão e ansiedade são alguns dos sintomas mais comuns que permanecem com as pessoas contaminadas pelo vírus.
Estudo no Reino Unido contabilizou cerca de 1 milhão de pessoas dizendo que manifestaram sintomas de COVID Longo por cerca de três meses. Dessas pessoas, 376 mil contraíram o vírus ou tiveram suspeita de contrair um ano atrás.

Há grande variação na intensidade dos sintomas que permanecem mais tempo com as pessoas. Para aquelas que apresentam diversas dificuldades após a contaminação, é preciso atenção e cuidado reabilitador.

Na Clínica Move uma equipe multidisciplinar tem se dedicado ao tratamento e reabilitação dos mais diferentes sintomas e sequelas.

Conheça nossa equipe aqui http://www.move.med.br/tratamentos/reabilitacao-pos-covid/
Dra. Marina Cecchini
Psicológa da Clínica Move

Referências
BAO, Y, SUN, Y, MENG, S, SHI, J, LU, L. 2019-nCoV epidemic: Address mental health care to empower society. Lancet. 2020;395(10224):e37-e38. Available from: https:// www.thelancet.com/action/s howPdf?pii=S0140- 6736%2820%2930309-3 Acesso 23/12/20.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Educational Activity. COVID-19 and Men- tal Health: Caring for the Public and Ourselves, 2020.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Como manter a saúde mental em época de COVID-19. Disponível em: <http://www.sbponline.org.br/2020/03/como-manter-a-sau- de-mental-em-epoca-de- covid-19>. Acesso em 15/12/2020.
WANG C, PAN R, WAN X, TAN Y, XU L, HO CS, et al. Immediate psychological respon- ses and associated factors during the initial stage of the 2019 coronavirus disease (COVID- 19) epidemic among the general population in China. Int. j. environ. res. public health (On- line).;17(5):1729. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/a rticles/ PMC7084952/pdf/ijerph-17- 01729.pdf. Acesso em 23/12/2020.
THORISDOTTIR IE, ASGEIRSDOTTIR BB, KRISTJANSSON AL, ET AL. Depressive symptoms, mental wellbeing, and substance use among adolescents before and during the COVID-19 pandemic in Iceland: a longitudinal, population-based study. Lancet Psychiatry. 2021; (published online June 3.)