Pacientes com Doenças Reumatólogicas podem tomar Vacinas?

Muito tem sido falado sobre as vacinas nos dias de hoje, quais devem ser tomadas, quando devem ser tomadas, quem deve tomá-las e, mais importante, quem deve evitá-las.

As vacinas não devem ser limitadas à infância, existindo também um calendário vacinal para adultos e idosos. Elas podem ser recebidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em Centros de Referência de Imunológicos Especiais (CRIEs) ou em clínicas particulares. Nas UBSs, estão as vacinas que compõe o calendário vacinal, ou seja, aquelas vacinas identificadas pelo governo com o melhor custo-efetividade e custo-benefício para causarem um maior impacto do ponto de vista de Saúde Pública, protegendo de maneira mais efetiva a comunidade. Nos CRIEs ocorre o atendimento de pessoas  portadoras de doenças crônicas, imunodeficiências ou aquelas que convivem com estas pessoas, além daqueles que apresentaram alguma hipersensibilidade ou eventos adversos graves após vacinas. Nas clínicas particulares estão presentes todas as vacinas licenciadas pelo Ministério da Saúde.

Quando falamos de vacinas e imunossuprimidos, o mais importante é diferenciar os dois tipos de vacinas:

  • inativadas (vírus e bactérias mortos)
  • atenuadas (vírus enfraquecido)

As vacinas inativadas são produzidas com partes dos vírus e bactérias, sem conteúdo genético e, portanto, sem vida. Assim, elas são incapazes de causar doenças. Já as vacinas atenuadas são produzidas de uma forma em que o vírus ainda é capaz de se multiplicar, porém apenas o suficiente para gerar uma resposta do organismo, que produzirá anticorpos contra esse vírus, assim, a pessoa vacinada fica protegida contra ele.

As vacinas atenuadas devem ser evitadas pelos pacientes imunossuprimidos, já que estes possivelmente não conseguirão produzir uma resposta adequada e poderão desenvolver as doenças.

Exatamente por nem todos poderem tomar todas as vacinas, é  fundamental que quem não seja imunossuprimido ou não tenha alguma outra contraindicação, receba-as de forma correta. Este é o conceito de Proteção Coletiva, assim, os que estão protegidos contra as doenças por terem sido vacinados não as transmitirão para aqueles que não podem receber as vacinas.

Considerando as vacinas a serem tomadas por adultos (maiores de 20 anos), as vacinas de microorganismos inativados, ou seja, aquelas que podem ser tomadas por todos e que não são capazes de causar doença são:

  • Dupla adulto (dT): protege contra difteria e tétano, ou Triplice Acelular: protege contra tetano, difteria e coqueluxe
  • Hepatite B
  • Hepatite A
  • Vacina contra gripe: protege contra o vírus influenza
  • Vacina contra pneumococo: protege contra otites, pneumonia e meningite causadas por pneumococos
  • Vacina contra meningococos: protege contra meningites (C conjugada, ACWY e B)

 

As vacinas atenuadas, devem ter seus riscos e benefícios discutidos nos pacientes imunossuprimidos e são:

  • Vacinas isoladas de sarampo, caxumba ou rubéola ou conjugadas na Dupla (SR) ou na Tríplice viral (SCR): protege contra sarampo, caxumba e rubéola
  • Febre amarela
  • Herpes Zoster
  • Varicela: protege contra a catapora

Os principais efeitos  adversos das vacinas são febre, cansaço, dor e vermelhidão no local da aplicação. Se o paciente estiver com febre, opta-se por adiar a vacinação. É importante lembrar  que a vacina da gripe é uma vacina de vírus inativado, assim, não é capaz de causar gripe. O que geralmente ocorre, é que caso o paciente já esteja infectado por um vírus quando toma a vacina, esta não o impede de ficar doente. Portanto, não foi a vacina que causou a doença.

Cada vacina apresenta um esquema vacinal específico, que deverá ser orientado por seu médico.

É de extrema importância, portanto, que os pacientes que estão recebendo imunossupressores estejam com todas as vacinas de vírus e bactérias inativados em dia e que conversem com seu médico sobre qual vacina de vírus atenuado devem receber, já que sempre deve ser levado em consideração o grau de imunossupressão e o risco que o paciente tem de se expor ao vírus e, assim, pesar o risco-benefício de tomar ou não cada vacina de vírus atenuado.

 

Dra Gabriela Daffre

Reumatologista da Clínica Move

 

Ultrassonografia reumatológica foi fundamental para o diagnóstico correto de Kim Kardashian

A mídia noticiou amplamente sobre o (possível) diagnóstico de Lupus e Artrite reumatoide recebido por Kim Kardashian, com base em exames laboratoriais. No meio reumatológico, esses diagnósticos foram questionados. Com base nas informações divulgadas, apenas os auto-anticorpos eram positivos, mas sabemos que esse achado não é suficiente para um diagnóstico definitivo dessas duas doenças.

Outro fator de confusão foi o histórico de psoríase que Kardashian havia divulgado previamente. A psoríase, doença autoimune inflamatória da pele, é um forte fator predisponente para a artrite psoriásica (outra condição reumatológica que pode cursar com dor e inchaço das articulações).

Felizmente, a reumatologia vem se apropriando de métodos diagnósticos cada vez mais precisos para diferenciar doenças autoimunes semelhantes. Entre esses métodos está a ultrassonografia. Particularmente quando operado por reumatologista treinado, esse exame consegue identificar elementos específicos de cada doença, facilitando um diagnóstico preciso. Desta forma, o tratamento correto pode ser instituído prontamente, prevenindo lesões irreversíveis.

No caso de Kim Kardashian o exame foi realizado pelo Dr Ben Artzi, reumatologista americano que utiliza a ultrassonografia em sua prática clínica. Dr Artzi acalmou a paciente, demonstrando não haver evidências de Artrite reumatoide ou Lupus. Reforçou que provavelmente o quadro está mais relacionado a uma possível artrite psoriásica.

A literatura científica vem apresentando um crescimento exponencial de estudos conduzidos por reumatologistas especializados, demonstrando a aplicabilidade clínica dessa ferramenta em diversas condições reumatológicas. A alta sensibilidade da ultrassografia para detectar alterações articulares contribui para um diagnóstico precoce de todas as artropatias autoimunes (entre elas artrite reumatoide, artrite psoriasica, lupus, espondilite) e também de outras etiologias (como gota e “artrose”).

Fontes:
https://www.eonline.com/br/news/1073458/kim-kardashian-descobre-se-tem-lupus#photo-1007746

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/10/kim-kardashian-tem-exame-positivo-pra-anticorpo-da-lupus-ela-tem-a-doenca.htm

O que é Fibromialgia?

A fibromialgia é uma condição de dor crônica, em que os pacientes tem o seu limiar de dor alterado. A dor referida é em todo o corpo e nenhum local é poupado.

Os pacientes podem apresentar outros sintomas:

– Sono não restaurador (dorme mas não descansa)
– Alterações intestinais
– Dor abdominal
– Dor de cabeça
– Dificuldade de concentração
– Alteração da memoria
– Fadiga (um cansaço que não passa!)

Essa doença pode levar ao isolamento social, porque a sociedade tem pouca compreensão sobre a doença. Não há exames de sangue ou de imagem que mostrem a doença. Então os pacientes tendem a se isolar, por medo de julgamento, já que muitas vezes são considerados fracos e desmotivados.
Acho importante divulgarmos a doença, mas principalmente que há tratamento. É possível viver bem! Já não é mais como antes, a terapia medicamentosa evoluí muito, e hoje existe uma variedade de intervenções não medicamentosa que auxiliam muito no tratamento, e os resultados são animadores!

Temos 3 pilares no tratamento da Fibromialgia:
– Exercício físico aeróbio e força muscular com o fisioterapeuta ou professor de Educação Física
– Terapia cognitivo comportamental com o profissional da psicologia
– Medicamentoso com o médico Reumatologista

Além disso, há outras modalidades de terapia que tem ajudado muito:
– Ioga e Pilates
– Meditação mindfulness
– Tai Chi e Qi-gong
– Hidroterapia
– Acupuntura

Dra. Lorenza Silvério
Reumatologista da Clínica Move

Qual a diferença entre o Reumatologista e o Ortopedista?

As duas especialidades têm muito em comum e em alguns casos andam juntos no acompanhamento dos pacientes. Por isso é compreensível a dúvida que surge diante de uma queixa como dor no punho ou joelho: “ Marco consulta com o Reumatologista ou com o Ortopedista?”⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

O que as une é o fato de ambas tratarem doenças que envolvem as articulações, ossos, músculos e estruturas como tendões e bursas. Talvez a maior diferença se encontre na formação médica de cada um. Enquanto o Reumatologista é clínico, o Ortopedista é cirurgião.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

O Reumatologista lida com doenças articulares e musculoesqueléticas geralmente de caráter crônico (como artrose, gota, osteoporose, fibromialgia), além de doenças associadas a alterações da imunidade (como lúpus, artrite reumatoide e esclerodermia).⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

De modo geral, o Ortopedista lida com deformidades anatômicas (como pé torto, escoliose, luxação congênita do quadril), fraturas, tumores ósseos, traumas e lesões associadas ao esporte.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Existem algumas condições que são comumente diagnosticadas e tratadas por ambos, como bursites, tendinites, síndrome do túnel do carpo e dores na coluna.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

As seguintes dicas são válidas na hora de tomar a decisão de com qual especialista passar:

  • Se a sua dor e/ou inchaço surgiu em uma articulação ou próximo a ela, principalmente após algum trauma (por exemplo, queda ou batida) e você suspeita de fratura, lesões ligamentares ou de menisco, procure um Ortopedista.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
  • Se a sua dor e/ou inchaço tem calor no local, começou há algum tempo, está presente em mais de uma articulação ou próximos a ela ou as dores são generalizadas, procure um Reumatologista⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Nos casos duvidosos, não há certo ou errado. Um bom profissional, independente da sua área de atuação, caso perceba que o problema está alem da sua expertise, encaminhará o paciente ao colega mais indicado e em alguns casos manterão acompanhamento conjunto. Reumatologista e Ortopedista não são concorrentes, mas sim especialistas complementares.

Dra. Taysa Moreira
Reumatologista da Clínica Move