Meu filho está crescendo adequadamente?

O crescimento do ser humano acontece em velocidades e ritmos diferentes durante as fases da vida, e para cada idade há uma faixa de normalidade e não uma altura ideal. Geralmente, os filhos atingem alturas semelhantes ao de seus pais, por isso cada criança tem um potencial de crescimento particular que deve ser reconhecido e respeitado.

O potencial genético de crescimento da criança é avaliado através do cálculo da estatura alvo, a partir da estatura dos pais. A estatura final pode variar 8cm pra mais ou para menos dessa altura alvo, denominado canal familiar.
Durante a vida uterina, a velocidade de crescimento varia de acordo com a idade gestacional. Doenças genéticas ou alterações ambientais e placentárias podem determinar restrições no crescimento intrauterino, levando ao nascimento de crianças pequenas para a idade gestacional; isso pode influenciar no crescimento pós-natal e na estatura final.

A partir do nascimento, o hormônio do crescimento, chamado GH (Grownth Hormone), passa a ter papel primordial no crescimento da criança. Nos primeiros 3 anos de vida elas tendem a apresentar crescimento variável com intuito de alcançar o percentil de crescimento do seu canal familiar, por isso é importante avaliar em qual percentil de crescimento a criança se encontra ao fim do 3o ano e se está compatível com o seu canal familiar.

No primeiro ano de vida as crianças crescem em média 25cm; no segundo, 12cm; no terceiro 8cm e após o 3o ano, ocorre uma redução gradual da velocidade de crescimento até atingir um patamar de 4 a 6cm ao ano. Quando a criança está prestes a entrar no estirão da puberdade pode haver uma desaceleração ainda maior do crescimento, causando apreensão dos pais. Na puberdade, a criança passa por um período de 2 anos de crescimento acelerado (8 a 12cm ao ano), chamado de estirão puberal. A idade óssea é o grande preditor de crescimento e deve ser avaliada sempre que houver dúvidas quanto ao crescimento e desenvolvimento. Após o estirão puberal a criança passa a crescer muito lentamente até atingir sua estatura final, que ocorre com a idade óssea de 16 anos nas meninas e de 18 anos nos meninos.

De um modo geral, deve-se investigar déficit de crescimento em casos de:

• Crianças com estatura muito abaixo do esperado para idade e sexo (abaixo do percentil 2,5)
• Crianças que apresentam queda no percentil da altura após os 3 anos de idade ou velocidade de crescimento muito abaixo do esperado para idade e sexo
• Crianças com altura incompatível com o canal familiar.

Na maioria das vezes a baixa estatura ocorre devido seu canal familiar (pais baixos) ou por ter um crescimento mais lento (nesses casos a idade óssea também está atrasada e compatível com a estatura). Nessas situações, geralmente apenas se acompanha o crescimento, pois essas crianças atingirão sua estatura alvo. A garantia de uma alimentação variada e balanceada, sono em duração e horários adequados (mínimo 8 horas por noite), atividade física regular e exposição solar para produção de vitamina D são essenciais para o crescimento adequado das crianças.

Todas as crianças devem ser acompanhadas periodicamente quanto à sua curva de crescimento pelo pediatra. Os pais devem ficar atentos a sinais de alterações comportamentais, aparecimento precoce de caracteres sexuais (<8 anos em meninas e <9 anos em meninos), padrão alimentar, hábito intestinal, alterações importantes no peso corporal.

Diversas doenças metabólicas e hormonais podem afetar o crescimento infantil como hipotireoidismo, obesidade, erros alimentares, puberdade precoce, síndromes genéticas, doenças crônicas e uso de medicações. O diagnóstico precoce possibilita um melhor resultado, e quando a investigação mostra que a baixa estatura resulta de alguma doença, ela deve ser tratada.
O tratamento consiste na correção das doenças de bases e na reposição do GH em casos selecionados.
É sempre importante a avaliação do pediatra e de um endocrinologista na investigação e tratamento dessas crianças e adolescentes!

Dra. Mirela Miranda
Endocrinologista da Clínica Move

Atividade física também é para crianças!

Você sabia que a maioria das crianças e dos jovens DO MUNDO não chegam a 60 minutos diários de atividade física?
No Brasil são apenas 25%!!!
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O colégio Americano de Medicina Esportiva criou um conceito – a tríade da inatividade física:
– déficit de exercício
– redução de força por falta de uso
– analfabetismo físico
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Os benefícios da atividade física para crianças são inúmeros, como redução de obesidade, melhora da saúde óssea, da imunidade, da socialização, do trato intestinal, entre muitos outros.
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São estratégias para aumentar a prática entre os jovens:
– inovar;
– fazê-los descobrirem talentos;
– promover diversão e amizades;
– estabelecer sensação de pertencimento;
– ensinar movimentos, técnicas e habilidade;
– monitorar progresso.
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A geração atual está inserida num contexto de uso de telas, de tecnologias. Porém, fazê-los mais ativos hoje, trará benefícios para hoje mesmo, e ainda mais para o adulto que ele irá se tornar.

Fonte: Pediatric inactivity triad: A triple jeopardy for modern day youth. ACSM, 2020

Dra. Gisele Mendes Brito
Pediatra da Clínica Move

Meu filho não gosta de nenhum esporte, e agora?



Existem crianças e adolescentes que não gostam dos esportes competitivos, mas isso não significa que eles não queiram fazer nada!

As crianças são ótimas “absorvedoras de comportamentos”. O que isso significa? Se elas observam seus pais ou responsáveis dentro de casa nos smartphones ou computadores, elas vão seguir esse mesmo comportamento, se tornando crianças sedentárias desde a primeira infância.  Atualmente até existem piadas sobre isso porque anos atrás precisávamos pedir para as crianças saírem da rua e voltarem para a casa, e hoje é exatamente o contrário, precisamos pedir para as crianças e adolescentes saírem do sofá e fazerem alguma atividade física.

Outro ponto importante a ser considerado é que não é porque os pais ou responsáveis foram atletas competitivos ou têm uma prática intensa de exercícios físicos que as crianças precisam treinar como eles.

Várias são as possibilidades esportivas:

  • lutas, dança, esportes tradicionais (futebol, basquete, vôlei, handebol, tênis, natação)
  • esportes outdoor (surf, escalada, skate, patins, bicicleta)
  • esportes radicais (rafting, tirolesa, rapel)
  • remo, golf, esgrima, squash, futebol americano, rugby, softbol e basebol, entre tantos outros.

A ideia é fazer com que as crianças se tornem ativas, e o que devemos fazer?

  • Os pais ou responsáveis precisam mostrar possibilidades de atividades físicas e esportes para as crianças.
  • Os pais ou responsáveis precisam estar engajados com as crianças, não adianta os pais quererem que seus filhos sejam ativos se eles mesmos não fazem nenhuma atividade.
  • Crianças de 2-5 anos devem fazer 2 horas atividade física moderada-intensa por dia.
  • Crianças de 5-17 anos pelo menos 1 hora de atividade física moderada-intensa por dia.
  • Máximo de 2 horas por dia em atividades sentadas (jogos e TV).
  • Não permitam que as crianças fiquem mais de hora em tempo sedentário

 

O desafio não é fácil, mas se todos estiverem envolvidos o sucesso com certeza será mais fácil!

Dra. Ana Lucia de Sá Pinto
Pediatra e Médica do Exercício e Esporte da Clínica Move