Seis maneiras de prevenir a demência

A demência é um termo genérico que descreve os sintomas de um conjunto de doenças que causam diminuição progressiva da função mental, afetando a memória, a capacidade de raciocínio e o juízo de valores.
A demência ocorre normalmente em pessoas com mais de 65 anos, e estima-se que metade das pessoas com mais do que 85 anos tenham algum grau de demência. A Organiza Mundial da Saúde estima que existam no mundo cerca de 50 milhões de pessoas com diagnóstico de demência, e este número pode atingir 135 milhões em 2050.
Ainda não existe cura para a demência, mas a manutenção de bons hábitos de saúde pode reduzir os riscos do surgimento desta doença.

Aqui vão 6 dicas para prevenir a demência:

1) Faça atividade física: tente realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa.
2) Tenha uma boa noite de sono: tente dormir de 7 a 8 horas por noite, mantendo a regularidade nos horários de ir para a cama e levantar.
3) Não fume.
4) Mantenha os contatos sociais: interações sociais ajudam a estimular a cognição e a manter o cérebro ativo.
5) Reduza o consumo de álcool: evite bebidas alcoólicas e, quando for beber, não beba mais do que 2 drinks por dia.
6) Alimente-se bem: reduza o consumo de alimentos ultraprocessados e aumente o consumo de alimentos frescos.
A manutenção destes hábitos de saúde pode reduzir os riscos do surgimento de demência e também de outras doenças crônicas, tais como doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de cancer.

Atividade física também é para crianças!

Você sabia que a maioria das crianças e dos jovens DO MUNDO não chegam a 60 minutos diários de atividade física?
No Brasil são apenas 25%!!!
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O colégio Americano de Medicina Esportiva criou um conceito – a tríade da inatividade física:
– déficit de exercício
– redução de força por falta de uso
– analfabetismo físico
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Os benefícios da atividade física para crianças são inúmeros, como redução de obesidade, melhora da saúde óssea, da imunidade, da socialização, do trato intestinal, entre muitos outros.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
São estratégias para aumentar a prática entre os jovens:
– inovar;
– fazê-los descobrirem talentos;
– promover diversão e amizades;
– estabelecer sensação de pertencimento;
– ensinar movimentos, técnicas e habilidade;
– monitorar progresso.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A geração atual está inserida num contexto de uso de telas, de tecnologias. Porém, fazê-los mais ativos hoje, trará benefícios para hoje mesmo, e ainda mais para o adulto que ele irá se tornar.

Fonte: Pediatric inactivity triad: A triple jeopardy for modern day youth. ACSM, 2020

Dra. Gisele Mendes Brito
Pediatra da Clínica Move

Fique em casa, mas não fique parado!

A doença do coronavírus 2019 (COVID-19) é uma doença infecciosa e com proporções pandêmicas, já tendo acometido mais de 100 milhões de pessoas no mundo. A realização de confinamento em casa é uma das medidas mais utilizadas para redução da transmissão do vírus e para manejo e controle da pandemia.

Embora seja desejável do pondo de vista do controle da pandemia, o confinamento em casa tende a causar redução nos níveis de atividade física. Frente a este cenário, alguns pesquisadores tem estimulado a prática domiciliar de exercícios físicos como uma estratégia momentânea para a manutenção dos níveis de atividade física da população.
Estudos tem demonstrado que o exercício físico domiciliar é tão eficaz quanto o exercício físico realizado em ambientes formais, tais como academias e clubes. O mais interessante é que não são necessários equipamentos sofisticados para manter o condicionamento físico. Atividades com o peso do próprio corpo ajudam a melhorar a aptidão cardiorrespiratória e força muscular. Além disso, exercicios de alongamento e equilíbrio podem ser feitos sem equipamentos ou com simples implementos, como um colchonete e um lençol.

No entanto, nem todo mundo é naturalmente motivado para fazer exercício em casa, e algumas pessoas podem precisar de ajuda profissional. A boa notícia é que com as novas tecnologias, é possível engajar em programas supervisionados de atividade física, de maneira remota, no conforto e segurança da própria casa. Aplicativos de vídeo tem sido utilizados para conectar profissionais de Educação Física com seus alunos, e os “reloginhos inteligentes” permitem um monitoramento contínuo e preciso das respostas fisiológicas durante o exercício. Em alguns lugares, turmas de ginástica trocaram as academias pelo “Zoom”, mantendo a integração e comunicação entre os alunos, mesmo que em distanciamento físico. A lista de iniciativas e possibilidades é grande, basta buscar!

Tiago Peçanha (@pecanhatiago)
Consultor da Clínica Move

Tenho Lúpus, o que posso fazer?

6 dicas para quem tem Lúpus Eritematoso Sistêmico:

  1. Usar filtro solar;
  2. Nunca parar os medicamentos por conta própria;
  3. Manter a vacinação em dia, sob orientação médica;
  4. Se fizer uso de hidroxicloroquina, seguir adequadamente o acompanhamento com oftalmologista;
  5. Manter uma alimentação saudável;
  6. Praticar exercícios físicos, sob orientação do médico/educador físico/fisioterapeuta.

Dica extra: Procurar aprender sobre a doença é muito importante, pois é preciso saber quando é necessário buscar ajuda médica com rapidez. Alguns dos sinais de alarme no Lúpus são:

  • febre;
  • urina espumosa, alteração de exame de urina ou da função dos rins;
  • dores de cabeça que não respondem ao tratamento habitual ou crises convulsivas;
  • dores torácicas retroesternais que pioram com a inspiração ou tosse.

O autocuidado é um instrumento fundamental no tratamento das doenças autoimunes.

Cuidem-se e fiquem bem! =)

Dra. Carini Otsuzi
Reumatologista da Clínica Move

Você que é ciclista, já ouviu falar em “Shermer’s Neck”?

Dra. Fernanda R. Lima

 

Cada vez mais temos visto o crescimento dos esportes de ultra-endurance, como corrida, ciclismo, natação e triatlo. Afinal, o ser humano foi, ao longo da evolução, fisiologicamente programado para ser um dos melhores animais de endurance do planeta.

 

O critério para definir um esporte de ultra-endurance é que ele dure ao menos 6 horas. Para fazer provas de um ou mais dias que tenham essa duração, o atleta tem que procurar melhorar o seu “motor energético” para suportar longos períodos em deslocamento contínuo.  Além disso, o sistema musculoesquelético tem que estar pronto para resistir à fadiga. Do contrário, o atleta fica exposto a um risco muito grande de lesões clínicas e do aparelho locomotor.

 

Uma das lesões mais curiosas no ciclismo de ultra-endurance  é o chamado Shermer’s Neck.  Essa situação é vista em ciclistas que pedalam distâncias muito longas e se caracteriza por uma importante fraqueza da musculatura do pescoço.

 

Ela foi descrita pela primeira vez em 1982 em um ciclista chamado Michael Schermer, durante a prova “Race Across America”, um evento ciclístico que vai de uma ponta a outra dos Estados Unidos. No meio da prova, Schermer perdeu progressivamente a força da musculatura do pescoço enquanto pedalava e de repente não conseguiu mais manter o seu queixo e olhar alinhados para frente. A partir daí, esse quadro foi batizado com o nome dele.

O Schermer’s Neck, em geral, vem acompanhado de dor na região cervical. No entanto, vale lembrar que dor é uma manifestação extremamente subjetivas para esses super atletas, que apresentam alta tolerância ao sofrimento. Outro sintoma descrito é a “diplopia” (visão dobrada do mesmo objeto), acentuada ao tentar elevar os olhos para olhar para um foco mais distante.

 

O que se sabe hoje é que esse quadro decorre uma fadiga extrema da musculatura do pescoço e olhos. Lesões prévias na coluna cervical, vícios posturais na bicicleta, uso de “aerobars” e capacetes pesados com câmeras acopladas são fatores de risco para o ciclista desenvolver o Schermer’s neck durante uma prova longa.

 

O mais impressionante é que, durante as competições, esse problema parece não ser um obstáculo suficiente para o ciclista abandonar a prova. Existem várias soluções “criativas” usando acessórios improvisados para sustentar a cabeça do ciclista na bicicleta. Por exemplo, a ciclista profissional Leah Goldstein teve Schermer’s Neck no meio de uma prova multidias com a média de rodagem 400km por dia. A solução foi trançar uma fita no seu cabelo e prende-la no na faixa do frequencímetro ou no top esportivo, para sustentar a cabeça até o final da prova!

 

A boa notícia é que o Schermer’s Neck é uma situação clínica reversível. O tratamento é basicamente repouso, sono e fisioterapia. Como prevenção, é fundamental fazer um trabalho de fortalecimento específico para a musculatura cervical, fazer um bikefit cuidadoso e conhecer o seu limite de condicionamento físico antes de se inscrever em uma prova de ultra-endurance.

 

 

 

 

 

O que dizem as novas recomendações de atividade física da OMS?

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com
Twitter:
https://twitter.com/tiagopecanha

No último mês, a Organização Mundial da Saúde lançou a nova versão das suas Recomendações de Atividade Física e Comportamento Sedentário. Em linhas gerais, o novo documento reforça a importância da prática de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, mas também adiciona a importância de limitar o período despendido em comportamento sedentário e substituir estes períodos por atividade física de qualquer intensidade.

Para crianças e adolescentes, o documento recomenda a realização de 60 min por dia de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, todos os dias da semana. Em pelo menos 3 dias, atividades aeróbias e de fortalecimento muscular e ósseo, de intensidade vigorosa, devem ser incorporadas.  Por fim, recomenda-se a redução do comportamento sedentário, em particular do tempo de tela recreacional (smartphone, tablet, TV, etc).

Para adultos saudáveis, o documento recomenda a realização de 150 a 300 min por semana de atividade física aeróbia de intensidade moderada à vigorosa.  Além disso, recomenda-se a realização de atividades de fortalecimento, envolvendo os maiores grupamentos musculares, 2 vezes por semana. Por fim, adultos também devem limitar o tempo em atividades sedentárias e substituir por atividades físicas de qualquer intensidade (incluindo atividades de baixa intensidade).

As recomendações para idosos é semelhante à de adultos, com a adição da recomendação de exercícios funcionais e de equilíbrios, que devem ser realizados 3 vezes na semana.

Uma novidade das novas recomendações da OMS é a inclusão de recomendações específicas para gestantes e populações com doenças crônicas. Estes grupos devem realizar pelo menos 150 min de atividade física de intensidade moderada à vigorosa. O documento ressalta algumas precauções que devem ser tomadas para garantir a segurança da atividade física para estas populações.

Por fim, o documento ainda lista algumas mensagens chave, tais como:

  • qualquer quantidade de atividade física é melhor do que não fazer atividade física;
  • todo o tipo de atividade física conta;
  • fortalecimento muscular beneficia a todos;
  • muito tempo em comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde;
  • todo mundo pode se beneficiar do aumento da atividade física e redução do comportamento sedentário. Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK. Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

No último mês, a Organização Mundial da Saúde lançou a nova versão das suas Recomendações de Atividade Física e Comportamento Sedentário. Em linhas gerais, o novo documento reforça a importância da prática de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, mas também adiciona a importância de limitar o período despendido em comportamento sedentário e substituir estes períodos por atividade física de qualquer intensidade.

Para crianças e adolescentes, o documento recomenda a realização de 60 min por dia de atividade física de intensidade moderada à vigorosa, todos os dias da semana. Em pelo menos 3 dias, atividades aeróbias e de fortalecimento muscular e ósseo, de intensidade vigorosa, devem ser incorporadas.  Por fim, recomenda-se a redução do comportamento sedentário, em particular do tempo de tela recreacional (smartphone, tablet, TV, etc).

Para adultos saudáveis, o documento recomenda a realização de 150 a 300 min por semana de atividade física aeróbia de intensidade moderada à vigorosa.  Além disso, recomenda-se a realização de atividades de fortalecimento, envolvendo os maiores grupamentos musculares, 2 vezes por semana. Por fim, adultos também devem limitar o tempo em atividades sedentárias e substituir por atividades físicas de qualquer intensidade (incluindo atividades de baixa intensidade).

As recomendações para idosos é semelhante à de adultos, com a adição da recomendação de exercícios funcionais e de equilíbrios, que devem ser realizados 3 vezes na semana.

Uma novidade das novas recomendações da OMS é a inclusão de recomendações específicas para gestantes e populações com doenças crônicas. Estes grupos devem realizar pelo menos 150 min de atividade física de intensidade moderada à vigorosa. O documento ressalta algumas precauções que devem ser tomadas para garantir a segurança da atividade física para estas populações.

Por fim, o documento ainda lista algumas mensagens chave, tais como:

  • qualquer quantidade de atividade física é melhor do que não fazer atividade física;
  • todo o tipo de atividade física conta;
  • fortalecimento muscular beneficia a todos;
  • muito tempo em comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde;
  • todo mundo pode se beneficiar do aumento da atividade física e redução do comportamento sedentário.

Recomendações Canadenses de Movimento para as 24 Horas

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

Recentemente, o governo canadense publicou novas Recomendações de Movimento para as 24 horas. Este documento oferece uma direção clara sobre como esses comportamentos devem se integrar ao longo das 24 horas.

De acordo com estas recomendações, 24 horas saudáveis incluem:

  • Realizar vários tipos de atividades físicas, de diversas intensidades, incluindo: (1) atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa que levem a um acúmulo de pelo menos 150 minutos por semana; (2) atividades de fortalecimento muscular, utilizando os maiores grupos musculares, e que sejam realizadas pelo menos 2 vezes por semana; (3) diversas horas de atividades físicas leves, incluindo ficar de pé;
  • Limitar o tempo sedentário por 8 horas ou menos, incluindo: (1) não ultrapassar 3 horas de tempo de tela recreacional; (2) interromper longos períodos na posição sentada frequentemente ao longo do dia.
  • Ter de 7 a 9 horas de sono de boa qualidade regularmente, mantendo a consistência no horário de ir para a cama e de acordar.

 

É possível perceber que o novo documento está de acordo com estudos recentes que demonstram que todos os tipos de movimento importam e que um equilíbrio entre os vários hábitos de saúde é o mais importante para a promoção da saúde. Substituir tempo sedendário com atividade física leve, e substituir a atividade física leve por atividade mais intensa, e mantendo um sono de boa qualidade, pode promover excelentes benefícios de saúde. Adultos que seguem estas recomendações tem menor risco de mortalidade, doença cardiovascular, diabetes do tipo 2, ganho de peso e diversos tipos de câncer. Estas recomendações também estão ligadas a um menor risco de ansiedade, depressão, demencia, e melhora da cognição e qualidade de vida.

Utilização de máscara cirúrgica não afeta o desempenho durante o exercício físico

 

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

 

A utilização de máscara facial é recomendada para a prevenção da transmissão de infecções respiratórias, tais como a do novo Coronavírus (COVID-19). No entanto, existem controvérsias a respeito de um potencial efeito destas máscaras sobre o desempenho físico, sobretudo em exercícios mais intensos.

Recentemente, um estudo canadense investigou se a utilização de máscara cirúrgica ou de pano reduz o desempenho físico durante um teste progressivo máximo em cicloergômetro. Participaram desse estudo 14 adultos (homens e mulheres), fisicamente ativos e saudáveis.

Estes indivíduos realizaram um teste progressivo em cicloergômetro até a exaustão, em três dias distintos.  Em um dos dias, os indivíduos realizavam o teste sem máscara, enquanto nos outros dois dias, eles realizaram os testes com máscara cirúrgica ou de pano. Foram avaliados o desempenho máximo atingido nos testes (i.e., carga máxima atingida e tempo até a exaustão), a saturação de oxigênio arterial, saturação de oxigênio tecidual e a frequência cardíaca. O principal achado deste estudo foi que a utilização de máscaras faciais não afetou o desempenho dos voluntários durante o exercício. Além disso, não houve diferenças relevantes na saturação de oxigênio arterial ou tecidual, indicando que a utilização destas máscaras não causa hipóxia geral ou tecidual, sendo, portanto, segura.

Estes achados estão de acordo com estudos prévios que também identificaram que máscaras cirúrgicas não afetam ou afetam muito pouco o desempenho durante o exercício físico. No entanto, não pode se dizer o mesmo sobre as máscaras N95. Um estudo alemão verificou que este tipo de máscara reduz o desempenho e o consumo máximo de oxigênio durante o exercício em cicloergômetro. Este estudo também relatou um aumento de sensações desconfortáveis durante o exercício, tais como aumento do calor e da umidade no rosto, fadiga e dificuldade de respirar, com o uso da máscara N95.

Estas informações podem ser úteis na criação de medidas de prevenção do COVID-19 em estabelecimentos de exercício físico (academias, clínicas, estúdios de personal training). É importante destacar que a prioridade deve ser a prevenção da transmissão do vírus. Pessoas que praticam exercício de maneira recreativa devem sempre utilizar as máscaras, uma vez que pequenas reduções do desempenho possuem significado pequeno frente ao risco imposto pelo vírus.

As novas tecnologias podem te ajudar a se manter ativo

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

 

A prática diária de atividades físicas é um hábito que trás inúmeros benefícios para a saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adultos devem realizar pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana. Para aqueles que desejam emagrecer, o volume de atividade deve ser maior, e o Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda pelo menos 250 minutos  de atividade física moderada por semana. Já com relação às crianças e adolescentes, a recomendação é que as mesmas realizem 60 minutos de atividade física moderada à vigorosa por dia. Além destas recomendações específicas de atividade física, todos os indíviduos devem evitar períodos prolongados na posição sentada ou deitada ao longo do dia, e tentar substituir esses comportamentos por atividade física leve.

Embora estas recomendações sejam claras, muitas pessoas ainda tem dúvidas em como medir e acompanhar a sua atividade física semanal. A boa notícia é que atualmente existem diversos equipamentos que podem te ajudar nesta tarefa. A maioria dos smartphones possui aplicativos que medem o seu número de passos diários e a distância caminhada por dia. Além disso, existem aplicativos específicos, como o Strava ou RunKeeper, que medem o seu desempenho durante a corrida ou ciclismo. A utilização desses aplicativos é fácil e eles criam um histórico de atividade física que te ajudam a acompanhar a sua evolução, e a ficar atento quanto à oscilação (para cima ou para baixo) dos seus níveis de atividade física. Mais recentemente, os relógios inteligentes (ou smartwatches) tem se tornado populares entre os praticantes de exercício. Marcas como a Fitbit, Apple, Polar e Garmin possuem diversos modelos que permitem medir diversos parâmetros de atividade física diária e dos exercícios ou esportes praticados. Com esses equipamentos é possível saber o seu número de passos diários, distância percorrida, ritmo de corrida, ciclismo ou natação (pace), frequência cardíaca e gasto energético.

Um estudo de revisão recente, publicado no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, verificou que a utilização destes equipamentos tecnológicos (também denominados de wearables) promove aumento da atividade física diária e melhora de diversos parâmetros de saúde em adultos sedentários ou com doenças crônicas. Mais especificamente, indivíduos que utilizaram este equipamento deram, em média, 2123 passos a mais por dia do que indivíduos que não utilizaram, e este aumento da atividade física diária se associou a redução da pressão arterial e do colesterol ruim. Outros estudos também tem sugerido que a utilização destes equipamentos pode auxiliar no aumento da atividade física em crianças e adolescentes; ou na redução da gordura corporal em indivíduos com excesso de peso.

Desta forma, a utilização dos wearables pode ser uma estratégia interessante e viável para o acompanhamento da atividade física diária, e para o monitoramento de diferentes exercícios. Consulte um profissional de educação física, que ele pode te ajudar a escolher o melhor modelo, e a te ensinar quais parâmetros devem ser utilizados e seguidos. Se você tem uma doença crônica, verifique com o seu médico quais são as adaptações que devem ser feitas e como ficar de olho nos sinais e sintomas.

 

Cidades ativas são mais saudáveis

Tiago Peçanha – Profissional de Educação Física. Pesquisador e Pós-doutorando do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Pós-doutorando no Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Liverpool John Moores University, UK.

Contato: pecanhatiago@gmail.com      Twitter: https://twitter.com/tiagopecanha

 

A inatividade física é um dos principais fatores de risco modificáveis para o surgimento de doenças crônicas não-transmissíveis, que são as principais causas de morte no mundo. Estima-se que 30 a 40% da população mundial não atinja as recomendações de atividade física da Organização Mundial de Saúde, sendo que esta proporção é ainda maior em adolescentes e idosos. Além de aumentar a morbimortalidade da população, a inatividade também trás impactos econômicos importantes, com estimativas que possa gerar um custo de mais de 50 bilhões de dólares por ano aos sistemas de saúde.

Diversos fatores contribuem para os baixos níveis de atividade física da população, e um aspecto que tem sido muito discutido nos últimos anos é a importância do ambiente construído. O ambiente constuído se refere aos ambientes feitos pelo homem e que dão condição para as atividades humanas. Exemplos incluem prédios, ruas e calçadas; sistemas de transporte; praças, parques e outros espaços verdes; bairros, cidades e toda a infra-estrutura de suporte, como redes de esgoto e de energia.

Embora este seja um conceitos amplos e que possui aplicações específicas em diferentes áreas do conhecimento e da atividade humana, é sabido que características do ambiente construído afetam os níveis de atividade física de uma população. A presença de calçadas amplas e seguras, de ambientes verdes e esteticamente prazerosos e proximidade com ciclovias e parques públicos favorecem a mobilidade urbana e a prática de atividade física, seja de transporte ou de lazer. Por outro lado, ambientes pobres em áreas verdes, com calçadas estreitas e/ou mal pavimentadas, baixa iluminação e com alta circulação de carros e poluição afastam as pessoas da atividade física.

Nas últimas décadas, em muitas cidades do mundo o poder público tem agido de forma a construir uma infra-estrutura que favoreça a mobilidade urbana e a prática de atividade física.  Um bom exemplo nesta linha é a construção de ciclovias e o estímulo à utilização de bicicletas. Um estudo de caso interessante é o da cidade de Amsterdã, nos Países Baixos. Em Amsterdã, 58% dos adultos usam a bicicleta diariamente (sendo que em 38% esta é a principal forma de transporte) e existem cerca de 800 km de ciclovias espalhados pela cidade. Além disso, estimam-se que existam 880 mil bicicletas em Amsterdam, o que faz com que o número de bicicletas seja maior que o da prórpia população total da cidade (aproximdamente 800 mil). Além de favorecer a mobilidade urbana sustentável, a prática do ciclismo trás inúmeros benefícios de saúde aos holandeses. Estima-se que o ciclismo previna 6500 mortes por ano e que promova o aumento da expectativa de vida em 1,5 anos entre todos os holandeses.

Com a pandemia do COVID-19, muitas cidades europeias também passaram a estimular o ciclismo para evitar a aglomeração de pessoas nos metrôs e ônibus. É possível que estas políticas públicas tragam beneficios de saúde adicionais ao controle da pandemia. Em um momento em que as pessoas estão sendo orientadas a não se aglomerarem em locais fechados, é possível que aspectos da infra-estrutura urbana passam a ser repensados de forma a favorecer a prática de atividades físicas no ambiente externo.